Estudo do A.C.Camargo e Nexus aponta que 42% não praticam atividade física e 26% têm obesidade. Quem faz exercício treina em média 2,4 dias por semana, reforçando o descompasso entre percepção e risco.
Uma pesquisa feita pelo A.C.Camargo Cancer Center e pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados revelou que 59% dos entrevistados avaliam a própria saúde como ótima ou boa, mas 63% estão acima do peso e 42% não fazem atividade física, reunindo dois dos principais fatores de risco para o câncer.
A pesquisa A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos mostra ainda 26% dos entrevistados com obesidade, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde. Entre aqueles que dizem praticar atividade física, a frequência é baixa, com média de 2,4 dias por semana.
O estudo aponta dados sobre alimentação: 66% dos entrevistados consomem alimentos frescos — como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes — seis dias ou mais por semana. Bebidas açucaradas, ultraprocessados, doces e frituras aparecem, em média, cerca de dois dias por semana.
Entre os que afirmam não conseguir comer adequadamente, 29% apontam o preço alto de carnes frescas, frutas e vegetais, e 21% citam a falta de tempo e o cansaço da rotina. A pesquisa detalha ainda diferenças por renda: quem ganha até um salário mínimo relata dificuldade em 40% dos casos; esse percentual cai para 10% entre os que recebem acima de cinco salários mínimos, onde o obstáculo mais citado passa a ser o tempo (39%).
Sobre o consumo de álcool, 58% dos brasileiros afirmam não beber; 30% dizem consumir álcool de um a dois dias por semana; e 5% relatam beber de cinco a sete dias por semana. A pesquisa lembra que o álcool é classificado pela Organização Mundial da Saúde como cancerígeno e está associado ao desenvolvimento de tumores de boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama, com riscos maiores quando combinado ao cigarro.
“O excesso de peso é hoje reconhecido pela ciência como fator de risco para mais de dez tipos de câncer, entre eles os de intestino, mama, pâncreas e esôfago. Ou seja: seis em cada dez brasileiros carregam, sem perceber, um dos principais fatores de risco da doença.”
Explicou Victor Piana, patologista e CEO do A.C.Camargo Cancer Center, sobre a magnitude do excesso de peso na população.
“Quem não se movimenta abre mão de uma das ferramentas de prevenção mais baratas e acessíveis que existem.”
Com relação à percepção de saúde e ao consumo de álcool, a pesquisa registra um paradoxo: entre quem bebe de cinco a sete dias por semana, 64% consideram a própria saúde ótima ou boa, contra 58% entre os que não bebem.
“Esse paradoxo ilustra o perigo da falsa percepção de saúde. A socialização e o relaxamento associados ao consumo frequente de álcool fazem com que a pessoa confunda sentir‑se bem com estar saudável.”
Disse a pesquisa, ressaltando a diferença entre sensação subjetiva e fatores de risco mensuráveis.
“A boa notícia é que todos eles são modificáveis. Cuidar dos hábitos hoje é a forma mais eficaz de reduzir as chances de um diagnóstico de câncer amanhã.”
Segundo Victor Piana, o maior risco do brasileiro não está no que ele sente, e sim no que ele não percebe — excesso de peso, sedentarismo, cigarro e álcool são fatores de risco que se instalam silenciosamente na rotina. A pesquisa entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação.
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