O ministro Dario Durigan garantiu que o governo vai resistir a pressões do Congresso por medidas que aumentem despesas públicas. A promessa visa proteger a estabilidade financeira do país durante o período eleitoral de 2026.
O compromisso do governo federal é não permitir que o clima eleitoral e as demandas de diversos setores dominem a agenda econômica do país, prejudicando sua estabilidade. Essa afirmação foi feita pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante uma entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026.
Durigan abordou a questão das chamadas pautas-bomba no Congresso Nacional, que se referem a propostas legislativas que geram despesas elevadas, pressionando as finanças públicas e podendo infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal. O ministro destacou que, embora os senadores e deputados queiram atender suas bases em um momento crucial da democracia, é fundamental que as decisões se mantenham dentro das limitações orçamentárias do país.
“Nós todos no país, seja governo, Congresso Nacional, Judiciário, temos que ter responsabilidade fiscal com as futuras gerações e o futuro do país”, comentou Durigan.
Em uma nota divulgada recentemente, o governo destacou o impacto fiscal de nove propostas em tramitação no Congresso, que, se aprovadas, podem acarretar um custo estimado em R$ 111 bilhões por ano. Entre os projetos, está a renegociação de dívidas com a União, que poderia gerar um custo de até R$ 140 bilhões em 13 anos, além de propostas que aumentam o teto do Simples Nacional e ampliam a imunidade tributária de templos religiosos, representando uma renúncia de receita significativa.
“É um impacto de R$ 111 bilhões em um ano. Se somar todo o investimento que o governo federal faz, nós demoramos mais de dois anos para conseguir investir R$ 11 bilhões. Então, não dá para contrabalançar um volume desse de despesa ou renúncia de receita nesse momento”, explicou o ministro.
Durigan também mencionou que tem dialogado com os presidentes das casas do Congresso Nacional, buscando uma condução responsável sobre esses temas. Ele reforçou que não há interesse em proteger setores específicos, mas sim em promover o crescimento do país como um todo.
“Quando começamos a apresentar outros projetos para atender bandeiras setoriais em prejuízo da população como um todo, perdemos força como país e nossa economia pode ficar enfraquecida e as pessoas vêm reclamar”, disse o ministro.
Além disso, Durigan expressou preocupação com a instabilidade global, mencionando a alta do preço do petróleo e as incertezas que afetam os bancos centrais em relação à inflação. Ele ressaltou a importância de focar em temas relevantes para o país, evitando distrações que possam comprometer o bem-estar da população.
Por fim, o ministro não descartou a possibilidade de que o governo recorra ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso o Congresso insista em aprovar pautas-bomba, enfatizando que a responsabilidade das decisões cabe ao Legislativo, que deve observar os requisitos fiscais estabelecidos.
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