Há lugares que ultrapassam a função para a qual foram construídos. Tornam-se pontos de encontro, de emoções coletivas e guardiões de memórias. Assim é a Arena Governador Lourival Baptista, o Batistão, que completa 57 anos neste 9 de julho.
Inaugurado em 1969, o estádio acompanhou a evolução do esporte sergipano, recebeu grandes competições, revelou talentos, emocionou torcedores e tornou-se um dos equipamentos públicos mais conhecidos do estado. Ao longo de mais de cinco décadas, milhares de pessoas passaram por seus portões: atletas, árbitros, cronistas esportivos, radialistas, fotógrafos, profissionais da imprensa e famílias inteiras que fizeram do Batistão parte de suas histórias.
A partida inaugural entrou para a história do futebol brasileiro. Em 9 de julho de 1969, a Seleção Brasileira, que no ano seguinte conquistaria o tricampeonato mundial no México, enfrentou a Seleção Sergipana diante de mais de 45 mil torcedores. Entre os craques que pisaram o gramado estava o Rei Pelé, eternizando o Batistão como um dos estádios brasileiros que tiveram a honra de receber o maior jogador de todos os tempos. Desde então, o estádio tornou-se cenário de decisões estaduais, competições nacionais, partidas históricas e eventos esportivos que ajudaram a fortalecer o futebol sergipano.
Patrimônio
Ao longo de seus 57 anos, o Batistão passou por importantes transformações para acompanhar a evolução do esporte e atender às exigências das competições modernas. A maior delas ocorreu em 2014, quando o estádio foi completamente modernizado e passou a ser conhecido como Arena Batistão. Na ocasião, também foi escolhido como centro de treinamento da Seleção da Grécia durante a Copa do Mundo da Fifa e, posteriormente, recebeu a Seleção do Japão em preparação para os Jogos Olímpicos Rio 2016, reforçando sua relevância no cenário esportivo nacional e internacional.
A história da Arena Batistão continua sendo construída. Em 2025, o estádio recebeu uma visita técnica da Fifa como candidato a centro de treinamento para a Copa do Mundo Feminina de 2027. Após um rigoroso processo de avaliação, Aracaju foi incluída no catálogo oficial da entidade internacional, permitindo que a Arena Batistão possa ser escolhida por uma das seleções participantes durante o Mundial, o primeiro realizado na América do Sul. A seleção dos centros de treinamento reconhece a qualidade da estrutura oferecida pelo equipamento esportivo sergipano.
A trajetória da Arena também se entrelaça com a formação de novas gerações de atletas. O estádio recebeu as solenidades de abertura dos Jogos da Primavera, um dos mais tradicionais eventos do calendário esportivo sergipano. As cerimônias reuniram milhares de estudantes-atletas de diversos municípios, transformando o gramado da Arena em um espaço de celebração do esporte, da educação e da integração entre jovens de todo o estado.
Aniversários
Ao longo dos anos, os aniversários do Batistão passaram a ser celebrados em datas marcantes, especialmente a cada cinco anos.
Em 2019, quando completou 50 anos, o estádio recebeu uma programação especial e um selo comemorativo, marcando o cinquentenário daquele que é considerado um dos maiores patrimônios esportivos de Sergipe.
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Já em 2024, os 55 anos foram lembrados durante todo o mês de julho com uma extensa programação organizada pelo Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Seel). As atividades incluíram missa em ação de graças, homenagens a ex-atletas, cronistas esportivos e personalidades ligadas ao estádio, competições para categorias de base, partidas comemorativas, o Jogo dos Cinquentões e o evento internacional Legends Sergipe, que reuniu grandes nomes do futebol brasileiro e mundial, como Adriano Imperador, Rivaldo, Aldair, Edmílson, Seedorf e Makélélé.
Novos símbolos
Mesmo após mais de meio século de existência, o Batistão continua recebendo ações voltadas à valorização de sua história.
Neste ano, o entorno da Arena ganhou duas esculturas que passam a integrar o patrimônio permanente do estádio. Uma homenageia Lourival Baptista, ex-governador que idealizou a construção do estádio e dá nome oficial ao equipamento. A outra reverencia Pelé, protagonista da partida inaugural realizada em 1969.
Produzidas pelo artista plástico sergipano Elias Santos, as esculturas transformam a entrada da Arena em um espaço de memória, permitindo que visitantes conheçam personagens fundamentais para a história do futebol sergipano e brasileiro.
Histórias
Mais do que concreto, arquibancadas e gramado, o Batistão é feito das lembranças de quem ajudou a construir sua trajetória.
Funcionários que dedicaram décadas de trabalho ao estádio costumam dizer que acompanharam não apenas partidas de futebol, mas também encontros de famílias, o surgimento de ídolos, momentos de superação e a emoção de gerações que aprenderam a amar o esporte naquele espaço.
“Quem trabalha aqui por muitos anos acaba fazendo parte da história do Batistão. Cada jogo traz uma lembrança, e cada setor guarda uma história diferente”, resume Dayse Lima.
São quase seis décadas de histórias vividas dentro e fora das quatro linhas. Poucas pessoas, porém, acompanharam essa trajetória tão de perto quanto Alberto Felizardo, conhecido carinhosamente como Beto, servidor que dedicou boa parte de sua vida ao Batistão.
“Tenho muito orgulho de fazer parte da história do Batistão. São muitos anos acompanhando o dia a dia deste estádio e vendo gerações de torcedores passarem por aqui. Cada jogo é diferente, mas o sentimento de cuidar desse patrimônio do povo sergipano continua o mesmo. O Batistão faz parte da minha vida e da vida de milhares de sergipanos”.
Aos 57 anos, o Batistão continua escrevendo sua história. Uma história construída por atletas, clubes, torcedores, profissionais da comunicação, trabalhadores que dedicam suas vidas ao equipamento e milhares de sergipanos que, em algum momento, encontraram nas arquibancadas um lugar para celebrar o esporte.
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