No dia 2 de junho de 2026, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, apresentou em Brasília uma análise sobre os impactos financeiros e os setores produtivos que podem ser afetados pela proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros. Durante a coletiva, ele destacou que os setores que mais sofreriam com essa medida incluem máquinas e equipamentos, além de outros produtos com valor agregado.
O ministro enfatizou que essa proposta de taxação pode prejudicar significativamente o emprego e a renda no Brasil. “Os setores mais atingidos seriam os de máquinas, equipamentos, que têm valor agregado. E traz muito prejuízo, como disse o vice-presidente [Geraldo Alckmin], para emprego, para renda, para as indústrias”, afirmou. De acordo com Rosa, 21% do total das exportações brasileiras para o mercado norte-americano estão diretamente ameaçadas pela nova tarifa.
A lista dos setores mais expostos a essa taxa inclui: máquinas e equipamentos industriais, produtos de plástico, calçados, produtos de madeira como esquadrias, papel cartão, ferro fundido, além de peixes e crustáceos. A declaração do ministro ocorreu em um evento ao lado do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, com o objetivo de esclarecer as ações do governo brasileiro em resposta ao relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que propôs a taxação na última segunda-feira, 1º de junho.
Márcio Rosa também ressaltou que não haverá retrocesso em questões de soberania nacional, conforme determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele deixou claro que o sistema de pagamentos Pix não será objeto de discussão nas negociações com os Estados Unidos. “[O Pix] não está na mesa de negociação, não há hipótese para isso. Nós vamos, sempre que possível, demonstrar não apenas para o governo norte-americano, mas também para o povo brasileiro, qual é a linha de esclarecimento e de defesa do Brasil”, afirmou.
O ministro criticou os obstáculos ao diálogo entre o Brasil e os Estados Unidos, mencionando diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve na Casa Branca recentemente. Segundo Rosa, as ações do senador, ao tentar classificar facções criminosas como terroristas, podem prejudicar as relações entre as autoridades brasileiras e norte-americanas. “Ele [senador Flávio Bolsonaro] acaba por produzir um resultado que contraria a ação das nossas polícias, por exemplo, da Polícia Federal, que mantêm relação de atuação cooperada e conjugada com as autoridades norte-americanas”, disse.
O ministro também lembrou que o Brasil continua a manter canais de comunicação abertos com os Estados Unidos desde a reunião do presidente Lula com o então presidente Donald Trump. Desde então, o governo brasileiro participou de pelo menos quatro reuniões formais com o USTR, a última ocorrida em 28 de maio, além de outras discussões técnicas realizadas na manhã de 29 de maio.
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