No mês de abril, as contas públicas do Brasil apresentaram um resultado expressivo com um superávit primário de R$ 24,6 bilhões, resultado que reflete uma arrecadação recorde. O setor público consolidado, que inclui União, estados, municípios e empresas estatais, mostrou um saldo positivo, destacando uma melhora em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o superávit foi de R$ 14,2 bilhões.
As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, 29 de maio, pelo Banco Central (BC). O superávit primário é calculado a partir da diferença entre as receitas e despesas do governo, excluindo os pagamentos de juros da dívida pública. Apesar desse resultado favorável para o mês de abril, o cenário em um período de 12 meses ainda é preocupante, com um déficit acumulado de R$ 126,6 bilhões, equivalente a 0,97% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
No ano anterior, as contas públicas também apresentaram um déficits primário de R$ 55 bilhões, o que equivale a 0,43% do PIB. Isso demonstra uma fragilidade na gestão fiscal que ainda persiste.
“É importante ressaltar a arrecadação recorde em abril, que contribuiu significativamente para o superávit do Governo Central, que foi de R$ 26,1 bilhões, uma recuperação em relação ao resultado negativo de R$ 16,2 bilhões do mesmo mês do ano anterior”, comentou um analista econômico.
Os governos regionais, tanto estaduais quanto municipais, também tiveram um desempenho positivo, registrando um superávit de R$ 329 milhões em abril de 2026, em contraste com o déficit de R$ 659 milhões do ano anterior. Essa contribuição foi fundamental para o saldo positivo das contas públicas.
No entanto, as empresas estatais, excluindo Petrobras e Eletrobras, apresentaram um resultado negativo de R$ 1,8 bilhão, o que impactou o superávit geral. Em abril de 2025, esse setor já havia mostrado um déficit de R$ 1,4 bilhão. Os gastos com juros da dívida pública totalizaram R$ 84,8 bilhões no mês passado, resultando em um déficit nominal das contas públicas de R$ 60,1 bilhões, que também é uma piora em relação ao déficit de R$ 55,5 bilhões do mesmo período do ano anterior.
A dívida líquida do setor público atingiu R$ 8,8 trilhões, representando 67,4% do PIB, uma elevação de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior. Esse aumento se deve, principalmente, aos juros e à valorização do dólar, que impacta a dívida externa. A dívida bruta do governo geral, que inclui todos os passivos, alcançou R$ 10,4 trilhões, equivalente a 80,4% do PIB, mostrando um aumento de 0,4 ponto percentual em comparação ao mês anterior.
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