Banco Central reduziu a taxa em 0,25 ponto, citando moderação da atividade, queda da inflação e impacto dos juros altos sobre crédito e demanda. Ata ressalta que a economia segue resiliente apesar da desaceleração.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi fundamentada, conforme a ata da reunião divulgada nesta terça-feira (22), na desaceleração da atividade econômica, na queda da inflação e nos efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda.
O documento assinalou que os indicadores divulgados desde o encontro anterior mostraram moderação gradual da atividade econômica, sobretudo nos setores mais sensíveis ao ciclo. Ainda assim, a ata observou que a economia continuou resiliente e que o mercado de trabalho permaneceu aquecido.
Segundo a ata, a leitura mais recente do Produto Interno Bruto (PIB), referente ao segundo trimestre deste ano, confirmou a desaceleração apontada por outros indicadores. O movimento foi mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao nível dos juros.
O Copom reiterou a importância do ajuste da demanda no processo de controle da inflação e destacou a função da política monetária nesse contexto:
o arrefecimento da demanda agregada é elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta
Em relação à inflação, a ata destacou que a inflação ao consumidor perdeu força nos meses recentes. O documento informou que tanto o índice cheio quanto a média das medidas subjacentes desaceleraram. Em 12 meses, os dois indicadores passaram a ficar abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta, embora ainda permanecessem acima do centro da meta de inflação.
O comportamento do mercado de crédito também foi citado como fator relevante. De acordo com o comitê, os dados mais recentes foram compatíveis com um quadro de desaceleração do crescimento econômico em ambiente de política monetária restritiva, o que apontou para transmissão gradual dos juros elevados à atividade econômica.
Apesar da melhora em alguns indicadores, o Banco Central manteve um diagnóstico cauteloso. A ata ressaltou que as expectativas de inflação permaneceram acima da meta em todos os horizontes analisados. A pesquisa Focus citada no documento apresentou projeções de 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027.
em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado
O documento também chamou atenção para o aumento das incertezas no cenário internacional, em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio e às dúvidas sobre a condução da política monetária nas principais economias avançadas. Entre os fatores que poderiam reduzir a inflação, o texto mencionou uma desaceleração mais forte da economia brasileira e mundial e uma queda nos preços das commodities.
Ao justificar a decisão, o Copom afirmou que o corte de 0,25 ponto percentual foi compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante da política monetária. O colegiado ressaltou que continuaria acompanhando a evolução do cenário econômico para manter o grau de restrição necessário ao controle da inflação.
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