No Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta (24), o BC revisou para baixo a projeção de crescimento para 2026 e manteve a estimativa de inflação para o ano. O IPCA acumulado em 12 meses caiu de 4,72% em maio para 4,22% em agosto, mas a inflação de serviços segue elevada.
O Banco Central (BC) reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, passando de 2% para 1,8%, e manteve em 5,2% a estimativa de inflação para o fim do ano, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (24).
O relatório aponta que, apesar da desaceleração observada nos últimos meses, a inflação tende a permanecer acima da meta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses recuou de 4,72% em maio para 4,22% em agosto, conforme destaca o documento.
O documento detalha que a inflação de serviços “segue elevada em cenário de mercado de trabalho aquecido e hiato do produto positivo”. As expectativas de inflação, de acordo com o relatório, permaneceram acima da meta em todo o horizonte de projeção considerado pela instituição.
No cenário de referência do Comitê de Política Monetária (Copom), a inflação acumulada em quatro trimestres deve recuar para 4,4% no terceiro trimestre deste ano, mas voltar a subir para 5,2% no fim de 2026. A projeção para o primeiro trimestre de 2028 permaneceu em 3,2%. Em relação ao relatório anterior, o BC afirma que essa projeção ficou estável, mas que a trajetória projetada para a inflação se tornou mais elevada de forma geral.
O relatório também registrou desaceleração da atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, após expansão de 1,1% no trimestre anterior. Segundo o BC, os primeiros indicadores do terceiro trimestre sugeriram continuidade desse movimento, o que motivou a revisão para baixo da estimativa de crescimento de 2026.
Para 2027, a estimativa de expansão foi fixada em 1,4%. Apesar da atividade mais fraca, o mercado de trabalho seguiu aquecido: a taxa de desocupação permaneceu em nível historicamente baixo e a geração de empregos com carteira assinada continuou positiva, embora em ritmo menor.
O Banco Central também ressaltou o ambiente externo, apontando que permaneceu incerto em razão dos conflitos armados ainda não resolvidos no Oriente Médio e das decisões futuras de política monetária em economias avançadas. Na reunião de setembro, o Copom reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano.
Segundo o relatório, o cenário atual, marcado pelo aumento das incertezas, pela desancoragem das expectativas e pelos riscos para a inflação, exigiu cautela na condução da política monetária.
Siga o Jornal do Sertão e receba as notícias do sertão sergipano em primeira mão.

