A Anvisa aprovou a ampliação do uso de medicamentos para o tratamento pediátrico de lúpus eritematoso sistêmico e esclerose múltipla, abrangendo crianças e adolescentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, através de uma resolução.
Para as crianças a partir de 5 anos que sofrem de lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, o medicamento Benlysta (belimumabe) passa a ser indicado como tratamento complementar. Este remédio é destinado a pacientes que apresentam um alto grau de atividade da doença e que já estão em tratamento padrão com corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.
A Anvisa também informou que a nova medida inclui alternativas em caneta aplicadora ou autoinjetora, com a intenção de diminuir a necessidade de deslocamentos a centros de infusão. Vale lembrar que a formulação intravenosa do Benlysta já estava aprovada para pacientes pediátricos anteriormente.
Além disso, o Ocrevus (ocrelizumabe) teve sua utilização ampliada para pacientes a partir de 12 anos e com 40 kg, sendo indicado para o tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). Este medicamento é um anticorpo monoclonal recombinante, associado à redução da atividade inflamatória relacionada à doença.
Sobre o lúpus, trata-se de uma doença inflamatória autoimune que pode afetar órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos mais severos, se não for tratado adequadamente, pode levar ao óbito. Entre os sintomas estão febre, rigidez muscular, inchaços, lesões na pele que surgem ou pioram com a exposição solar, linfonodos aumentados e queda de cabelo.
Conforme a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o lúpus afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. O diagnóstico é realizado com base em exames como hemograma, biópsia renal e exame de urina, e o tratamento é majoritariamente paliativo.
A esclerose múltipla, por sua vez, é uma doença inflamatória crônica e autoimune que ataca o sistema nervoso central. O sistema imunológico é responsável por agredir a mielina que protege as fibras nervosas, o que pode prejudicar a comunicação entre o cérebro e o corpo.
Na forma remitente-recorrente, a doença se caracteriza por episódios de novos sintomas neurológicos ou agravamento dos já existentes, seguidos de períodos de recuperação, que podem ser parciais ou completas. A manifestação antes dos 18 anos é considerada rara e geralmente mais grave. Entre os sintomas mais frequentes estão fadiga extrema, dormência, formigamento, alterações visuais, fraqueza muscular, desequilíbrio e dificuldades de controle da bexiga. As causas envolvem predisposição genética e fatores ambientais, como infecções virais, tabagismo e obesidade. O diagnóstico é feito por neurologista através de exames complementares.
Siga o Jornal do Sertão e receba as notícias do sertão sergipano em primeira mão.

