31 parlamentares democratas enviaram a Marco Rubio carta acusando o governo Trump de tentar influenciar a eleição presidencial de 2026. Dizem que a ação põe em risco a democracia brasileira e a aliança com os EUA.
Um grupo de parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio afirmando que o governo de Donald Trump não pode interferir nas eleições do Brasil. A correspondência foi assinada por 31 parlamentares do partido democrata, de oposição ao presidente, e foi encaminhada a Rubio nesta quinta-feira (24).
Na carta, os democratas descrevem um esforço que, segundo eles, seria coordenado pelo governo Trump para ameaçar a aliança estratégica entre os dois países e enfraquecer a democracia brasileira às vésperas da eleição presidencial de outubro de 2026. Os parlamentares acusaram a administração de tomar uma série de medidas com o objetivo, segundo eles, de tentar garantir a vitória de Flávio Bolsonaro, candidato de direita alinhado politicamente com Trump.
Entre as ações citadas estão a imposição de tarifas a produtos brasileiros, apontadas pelos parlamentares como tentativa de evitar a condenação de Jair Bolsonaro — pai de Flávio — por golpe de Estado. O texto observa que o ex-presidente foi condenado a mais de 27 anos de prisão e que atualmente cumpre prisão domiciliar.
Os democratas também mencionaram a indicação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos relativos ao Brasil. Segundo os parlamentares, Beattie foi descrito da seguinte forma:
“conhecido extremista de direita e supremacista branco”
O documento aponta ainda que Beattie tentou vir ao Brasil em março para visitar Jair Bolsonaro, mas teve sua entrada no país negada.
“Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos atuam como agentes de interferência e desestabilização, exercendo pressão diplomática, econômica e política de maneiras que podem enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar danos adicionais à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos Estados Unidos”
Os parlamentares compararam a atuação do governo Trump com o comportamento da gestão de Joe Biden nas eleições brasileiras de 2022, quando houve apoio público ao sistema eleitoral e reconhecimento do resultado das urnas. Na carta, eles afirmaram ainda:
“refletem um amplo e profundamente preocupante padrão de interferência da administração Trump nos recentes processos eleitorais na América Latina”
Além de críticas gerais, os parlamentares pediram explicações sobre medidas específicas adotadas pelo governo dos EUA em relação ao Brasil. Entre os pontos destacados na carta estavam:
Medidas citadas na carta
- Aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes;
- Classificação como organizações terroristas das facções criminosas Comando Vermelho e PCC;
- Revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti.
Na sequência, os parlamentares pediram que o governo dos Estados Unidos se comprometa a respeitar o processo eleitoral do Brasil e reconhecer o resultado das urnas, além de manter relações diplomáticas normais com o candidato eleito, seja quem for.
Em paralelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22), defendeu a soberania dos países e citou tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos nacionais, sobretudo na América Latina e no Caribe. Em sua fala, ele afirmou que se tem observado ingerência externa em processos eleitorais e investidas neocoloniais em contextos como Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.
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