Moradores denunciam que mais da metade das cadeiras odontológicas em várias UBS está quebrada ou inutilizada. Equipes suspendem atendimentos e a marcação de consultas mudou, dificultando o acesso.
A rede básica de saúde de Aracaju enfrenta reclamações de usuários sobre a estrutura das unidades e o acesso aos serviços. Entre as queixas estão equipamentos odontológicos sem funcionamento, suspensão de atendimentos em determinadas equipes e alteração na forma de marcação de consultas.
Segundo relatos encaminhados à reportagem, mais da metade das cadeiras odontológicas de algumas unidades estaria quebrada ou sem condições de utilização. Em consequência, o atendimento odontológico estaria prejudicado em diversas Unidades de Saúde da Família, segundo os moradores que buscam os serviços.
Em agosto, o Fundo Municipal de Saúde publicou contratação para manutenção preventiva e corretiva de cadeiras odontológicas e equipamentos periféricos instalados nas unidades do município. O serviço inclui reparos elétricos, eletrônicos, hidráulicos, pneumáticos e mecânicos, além da substituição de componentes danificados. O valor estimado da contratação é de R$ 129.079,74.
No ano passado, a Prefeitura havia anunciado o recebimento de 31 novas cadeiras odontológicas e 63 mochos, doados pela Universidade Tiradentes, com a previsão de implantação de 25 novas equipes de saúde bucal. Ainda assim, usuários relatam que a oferta de atendimento não tem acompanhado as necessidades em algumas unidades.
Outra reclamação apresentada por usuários está relacionada ao sistema de agendamento. Segundo os relatos, o modelo eletrônico utilizado anteriormente teria sido substituído, em determinadas situações, por um sistema baseado na distribuição de fichas. Para quem depende do atendimento presencial, a mudança representa um retrocesso, especialmente para pessoas que precisam chegar cedo às unidades para tentar garantir vaga.
O tema ganha destaque porque a rede municipal já utiliza ferramentas digitais para acompanhamento de exames e procedimentos. Desde junho, a Prefeitura disponibiliza o aplicativo Mais Saúde Cidadão e o Portal da Saúde, por meio dos quais os usuários podem verificar solicitações, posição na fila de espera e agendamentos. Em 2025, a Secretaria Municipal da Saúde também havia anunciado um novo modelo de Acesso Avançado para facilitar o atendimento nas unidades.
A coexistência de diferentes formas de acesso tem provocado questionamentos entre usuários que afirmam enfrentar dificuldades para conseguir atendimento presencialmente. As reclamações sobre disponibilidade e organização do agendamento chegam em meio a outros problemas relatados na rede municipal.
Em abril de 2026, a vereadora Sonia Meire denunciou na Câmara Municipal problemas na saúde de Aracaju e mencionou, entre outras questões, a superlotação de unidades e hospitais. A Prefeitura, por sua vez, lançou em julho o programa Minha UBS de Cara Nova, com previsão de intervenções de manutenção preventiva e corretiva nas 45 unidades básicas de saúde do município. O programa prevê reparos nas redes elétrica e hidráulica, telhados, portas, janelas, pintura e climatização.
O cenário aponta para uma distância entre os investimentos e programas anunciados pela gestão municipal e a experiência relatada por usuários que procuram diariamente a rede pública. A Prefeitura de Aracaju foi procurada para informar quantas cadeiras odontológicas estão atualmente sem funcionamento, quantas unidades estão com atendimento odontológico prejudicado, quais contratos de manutenção estão vigentes e esclarecer as mudanças no sistema de agendamento. O espaço permanece aberto para manifestação.

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