No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, especialistas destacam o vínculo entre apostas virtuais e sofrimento psíquico. Observe sinais como desesperança, isolamento, aumento do álcool, mudanças de comportamento e falas sobre morte.
Nesta quinta-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, profissionais de saúde mental destacam a necessidade de atenção para o sofrimento psíquico associado à dependência em apostas virtuais — as chamadas bets. Segundo o material, existem sinais de risco que devem deixar pacientes, familiares e amigos atentos: desesperança, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool e mudanças importantes de comportamento. Falas relacionadas à morte ou a não querer mais viver também são mencionadas como motivos de busca por ajuda.
O texto traz ainda dados sobre o impacto financeiro e social das apostas: constam informações de que famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025 e que quatro em cada dez mulheres apostam ou já apostaram online.
A psiquiatra Kátia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti, afirma que a ideação suicida precisa ser abordada sem receio nos tratamentos e grupos terapêuticos.
“A ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes”
Em outra colocação, a profissional explica que muitos pacientes que procuram ajuda por ludopatia já chegam com humor deprimido e ansiedade, devido aos prejuízos causados pelos jogos.
“Estão extremamente ansiosos em virtude dos prejuízos que têm por causa dos jogos. Há quem tenha pensamentos de morte e, no caso, os mais graves já com a ideação suicida em virtude dos prejuízos financeiros que têm”
O neurocirurgião Orlando Maia detalha a lógica biológica por trás da dependência: a expectativa de ganho pode liberar dopamina no cérebro, agindo como reforço que interfere no controle das decisões.
“O sistema de recompensa pode começar a falar mais alto do que os mecanismos de controle das decisões”
Orlando também ressalta que a ideação suicida aparece em aprofundamentos de quadros depressivos e que é importante reforçar o papel de campanhas e serviços de apoio, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), durante iniciativas como o Setembro Amarelo.
“Os mecanismos de tratamento desse ato de estímulo contínuo das apostas e das frustrações envolvem um processo”
A psicóloga Claudia Feres, que atua em Centro de Apoio Psicossocial (Caps), relata que muitas pessoas chegam ao serviço após tentativas de autoextermínio e que o atendimento envolve acolhimento e a inclusão da família nas estratégias de cuidado.
“Eu trabalho em Caps. Chegam para nós pessoas que tiveram pensamentos e fizeram, por exemplo, tentativa de autoextermínio. É um pedido de socorro desesperado, como se falasse que precisa se ausentar da vida naquele momento”
A psiquiatra Giovanna Quinet adverte que nem toda aposta leva à depressão, mas que o problema aparece quando o jogo passa a ocupar espaço central na vida, com perda de controle e consequências negativas.
“O problema está principalmente quando o jogo deixa de ser uma atividade eventual e passa a ocupar espaço central na vida da pessoa, com perda de controle e consequências negativas”
Segundo especialistas, o acesso 24 horas via celular, a publicidade e a associação ao esporte facilitam a normalização e dificultam a percepção do limite entre lazer e comportamento problemático. O caminho de risco descrito inclui aumento das apostas para tentar recuperar perdas, ocultação do problema para a família, dívidas, conflitos, prejuízo no trabalho, insônia, ansiedade, culpa, vergonha e isolamento — fatores que podem agravar quadros depressivos e elevar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas.
Os profissionais recomendam que quem identifica sinais procure ajuda profissional e apoio familiar o quanto antes, além de serviços de escuta e cuidado psicológico.
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