O Ministério da Saúde anunciou na última quinta-feira, 21 de maio de 2026, um novo protocolo destinado ao rastreamento e à detecção precoce do câncer colorretal dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir do segundo semestre de 2026, o Teste Imunoquímico Fecal, conhecido como FIT, será o exame padrão para homens e mulheres assintomáticos com idades entre 50 e 75 anos.
De acordo com o ministério, essa iniciativa visa ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e ao diagnóstico precoce dessa doença. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante uma agenda em Lyon, na França, em meio ao Maio Roxo, um mês dedicado à conscientização sobre Doenças Inflamatórias Intestinais, como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.
Segundo o Ministério da Saúde, a implementação deste protocolo é parte da estratégia do Governo Federal, através do programa Agora Tem Especialistas, que busca expandir a rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer.
“Estamos anunciando a primeira política de rastreamento do câncer colorretal no nosso sistema. Baseados na pesquisa e na evidência, começaremos uma estratégia de detecção baseada na atenção primária, com exame fecal e apoio de centros especializados em imagem e colonoscopia, se necessário”, afirmou Padilha.
O câncer de intestino é o segundo mais comum no Brasil, excluindo os casos de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, entre 2026 e 2028, surgirão cerca de 53,8 mil novos casos anualmente no país.
O Teste Imunoquímico Fecal (FIT) detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, o que pode indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou mesmo câncer no intestino. O exame é realizado de forma semelhante a testes de gravidez, utilizando fitas rápidas. O Ministério da Saúde informa que o FIT servirá como triagem para identificar quais pacientes necessitarão de uma colonoscopia, um procedimento que confirma o diagnóstico de forma mais precisa.
Entre os benefícios do exame estão a ausência de restrições alimentares antes da coleta, a utilização de apenas uma amostra, a rapidez no resultado, o custo reduzido e a simplicidade do procedimento, que não requer equipamentos complexos. O teste tem a capacidade de detectar até 92% dos casos de câncer colorretal, segundo o governo.
O anúncio do novo protocolo ocorreu poucos dias após o Governo Federal divulgar um pacote de medidas para aumentar o acesso a tratamentos oncológicos no SUS. Na última sexta-feira, 15 de maio, foi anunciado um investimento de R$ 2,2 bilhões para ações como a criação de uma nova tabela de financiamento para 23 medicamentos oncológicos de alto custo, além do financiamento de cirurgias robóticas e a ampliação do acesso à cirurgia de reconstrução mamária.
Em 2025, o SUS registrou um número recorde de procedimentos oncológicos, com 189.949 atendimentos de radioterapia, representando um aumento de 22% em relação a 2022, quando foram contabilizados 155.355 atendimentos. No que diz respeito à quimioterapia, o número de atendimentos subiu de 3,9 milhões em 2022 para 4,7 milhões em 2025, um crescimento de 20%.
Durante sua agenda na França, o ministro Alexandre Padilha também participou da assinatura de um memorando de entendimento entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este acordo envolve ações nas áreas de pesquisa, ensino, desenvolvimento tecnológico, comunicação e formulação de políticas públicas focadas no cuidado oncológico.
Siga o Jornal do Sertão e receba as notícias do sertão sergipano em primeira mão.

