A cidade sergipana de Propriá, localizada na região do Baixo São Francisco, será sede de um novo campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS). A criação dessa unidade foi aprovada na quinta-feira, 9 de julho, pelo Conselho Universitário da UFS, autorizando o início das reformas e adaptações do prédio destinado ao projeto.
O Campus Politécnico de Propriá será o oitavo da UFS e ampliará a presença da universidade federal no interior de Sergipe. O imóvel, cedido pela prefeitura, conta com dois blocos, salas de aula e infraestrutura básica, e está situado próximo ao Rio São Francisco, conforme informações divulgadas pela instituição.
Com uma população estimada em 27.213 habitantes em 2025, Propriá passará a integrar de forma mais direta o mapa da educação superior federal ao longo do Velho Chico. Na região do Submédio São Francisco, a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) mantém campi em Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, formando um dos principais polos universitários do semiárido. Juazeiro abriga um campus da Univasf desde 2004, enquanto Petrolina concentra a sede da instituição. Paulo Afonso também possui um campus da Univasf.
O novo campus de Propriá oferecerá quatro graduações voltadas à tecnologia e à indústria: Engenharia Eletrônica, Engenharia Biomédica, Engenharia de Robôs e Tecnologia de Alimentos. A escolha das formações foi fundamentada em estudos sobre as demandas da região e do mercado de trabalho. A proposta visa um perfil politécnico, promovendo a integração entre tecnologia, saúde, indústria e produção de alimentos.
A Engenharia de Robôs é uma das inovações do projeto, enquanto a formação em Tecnologia de Alimentos é vista como uma alternativa conectada às cadeias produtivas do Baixo São Francisco, abrangendo agricultura, laticínios e processamento de alimentos. O modelo acadêmico, anunciado em maio, prevê uma trajetória de dupla graduação, permitindo que os estudantes iniciem uma formação tecnológica e posteriormente sigam para o bacharelado ou engenharia correspondente, com a possibilidade de obter dois diplomas.
A implantação do campus em Propriá resulta de uma proposta discutida desde 2023, quando a UFS formalizou junto ao Ministério da Educação o pedido para abertura de novas unidades, incluindo a de Propriá. O planejamento institucional da universidade já previa que os novos campi fossem estruturados com base nas características sociais e econômicas de cada território, com cursos voltados ao desenvolvimento das cadeias produtivas locais. A proposta de interiorização faz parte do Plano de Desenvolvimento Institucional da UFS.
Em março deste ano, durante uma agenda na UFS, o ministro da Educação, Camilo Santana, confirmou a criação do campus em Propriá e anunciou investimentos de R$ 125,3 milhões para obras e melhorias na universidade. Contudo, ainda não há informações detalhadas sobre quanto será destinado exclusivamente à unidade de Propriá. A UFS destacou que o novo campus faz parte de um plano de expansão, que levará a instituição a um total de oito unidades.
Com a aprovação do Conselho Universitário, a UFS agora se prepara para a reforma e adequação do imóvel cedido pela Prefeitura de Propriá. A unidade deverá acolher estudantes, professores e técnicos administrativos após as intervenções na estrutura existente. Até o momento, não foram divulgados o número de vagas, a forma de ingresso, o cronograma de contratação de servidores ou a data de início das aulas. Em maio, o prefeito José Luciano Nascimento Lima expressou a expectativa de que os cursos comecem em 2027, mas essa previsão ainda não foi confirmada pela universidade em sua comunicação mais recente.
Antes da definição do espaço, a UFS havia publicado critérios técnicos para imóveis destinados ao campus, incluindo área útil mínima de um hectare, acesso pavimentado, proximidade de infraestrutura de água e energia e localização próxima à área urbana. A nota técnica correspondente foi divulgada em junho.
Para uma cidade de pouco mais de 27 mil habitantes, o campus promete ter um impacto maior que o município. A expectativa da UFS é que a unidade se torne um polo de formação e inovação para o Baixo São Francisco, área que agora contará com uma estrutura federal voltada para as engenharias, produção de alimentos, saúde tecnológica e transformação digital.
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