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Saúde

Novas normas: não trate com levotiroxina gestantes anti-TPO com tireoide normal

Claudio Vasconcelos
Last updated: 28/08/2026 08:51
Claudio Vasconcelos
Published: 28/08/2026
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Novas normas: não trate com levotiroxina gestantes anti-TPO com tireoide normal

Três grandes estudos mostram que levotiroxina preventiva não reduz aborto ou parto prematuro em gestantes com anti-TPO e função tireoide normal. Sociedades médicas brasileiras atualizaram as diretrizes.

Gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO) e com funcionamento normal da glândula não devem mais receber levotiroxina de forma preventiva. Três grandes estudos recentes mostraram que o tratamento preventivo, nesses casos, não reduz os riscos de abortamento ou parto prematuro.

Com base nesses achados, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia mudaram as recomendações para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de alterações da tireoide na gestação. As novas orientações têm como base a diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide em junho deste ano, quase uma década após as recomendações anteriores, de 2017.

A comunicação sobre as mudanças foi feita no dia 28/08/2026, no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no painel “Disfunção tireoidiana na gestação: o manejo que evita danos irreversíveis”.

Detalhes do novo posicionamento indicam que gestantes anti-TPO positivas não devem receber a versão sintética do hormônio (levotiroxina) como tratamento preventivo, desde que os níveis de T4 livre e TSH estejam normais, ou seja, quando a mulher é considerada eutireoidiana. Apesar da orientação contra o uso preventivo, a função da tireoide continuará sendo monitorada ao longo da gravidez, pois há maior risco de desenvolvimento de hipotireoidismo nesse período.

O subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Cleo Mesa Júnior, explicou a diferença entre predisposição e doença ativa:

“Se os [hormônios] TSH e o T4 livre estão normais, a mulher é considerada eutireoidiana e não há benefício comprovado em usar levotiroxina, apenas pela gestante ter o anticorpo positivo.”

Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes de engravidar, a orientação permanece: aumentar em cerca de 30% a dose habitual do hormônio assim que a gestante confirma a gravidez.

O Brasil manterá a estratégia de rastreamento precoce de todas as gestantes, desde o início da gravidez, para identificar quem realmente precisa de tratamento. Essa decisão difere da sugestão da ATA, que propõe rastreamento seletivo apenas em mulheres com fatores de risco previamente definidos, como idade materna, obesidade e número de gestações anteriores.

O especialista em endocrinologia admitiu que a recomendação internacional baseada em fatores de risco é controversa:

“O rastreamento seletivo pode deixar de identificar algumas mulheres que apresentam alteração da tireoide, mas não possuem os fatores de risco considerados na triagem.”

A posição brasileira busca, além de não perder casos, maior individualização para tratar quem realmente precisa e evitar o excesso de medicação.

Outra alteração refere-se ao manejo do hipotireoidismo subclínico (TSH elevado com T4 livre normal). O início do tratamento para TSH entre 4,0 e 10 mUI/L ficará focado no primeiro trimestre da gestação, período em que até a 12ª semana o desenvolvimento fetal depende mais do hormônio tireoidiano materno. Se a elevação do TSH for detectada no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é acompanhar a função tireoidiana sem iniciar levotiroxina, salvo se o TSH for superior a 10 mUI/L.

Sobre a repetição do exame, a recomendação internacional sugere aguardar uma a três semanas antes de decidir tratar, pois algumas alterações podem ser transitórias. No entanto, as sociedades médicas brasileiras defendem não aguardar esse intervalo em todos os casos, especialmente quando o retorno médico pode demorar.

“[No Brasil], em um sistema em que nem sempre é possível garantir retorno rápido, esperar pode significar perder a janela de oportunidade para o tratamento.”

Ao esclarecer o alcance das novas orientações, Cleo Mesa Júnior reforçou que não há evidência científica clara para iniciar tratamento hormonal de rotina em todos os casos e que a decisão clínica deve considerar o nível do TSH, o T4 livre e o momento da gestação.

“Isso não significa deixar de tratar o hipotireoidismo fraco ou alterações importantes. A decisão deve considerar o nível do TSH, o T4 livre, e o momento da gestação.”

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ByClaudio Vasconcelos
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz.
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