No G7 em França, Lula denunciou o avanço das desigualdades entre nações ricas e pobres. Para o sertão, a mensagem é direta: a pobreza do Sul Global não pode ser ignorada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, nesta terça-feira (16), um maior empenho dos países ricos na redução das desigualdades globais. A declaração foi feita durante sua participação na Cúpula do G7, realizada em Évian, França, que reúne as principais economias do mundo.
Lula destacou que a disparidade entre nações ricas e pobres tem se ampliado, afirmando: “Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo.”
O convite para o encontro do G7 foi uma oportunidade para Lula reforçar a necessidade de corrigir as desigualdades de um sistema que gera abundância, mas que distribui oportunidades de forma desigual. “Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, afirmou o presidente.
No discurso, ele também fez críticas ao aumento dos gastos militares, lamentando que, no último ano, quase US$ 3 trilhões tenham sido destinados para essa área. “Não são cifras abstratas. Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento”, ressaltou Lula.
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O presidente lembrou que, em 2022, o Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento, e que organizações como a OMS e o UNICEF tiveram reduções orçamentárias superiores a 20%. “Guerras e conflitos continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento”, destacou.
Além disso, Lula apontou que o mundo em desenvolvimento transfere anualmente 1,4 trilhão de dólares em serviço da dívida, um valor que é sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos. Essa realidade, segundo ele, impacta milhões de pessoas que não têm acesso à alimentação adequada, educação e saúde.
Em sua fala, Lula também refletiu sobre a história das cúpulas do G8 e G7, mencionando que, desde sua primeira participação em 2003, as respostas coletivas aos desafios globais ainda são insatisfatórias. “Em todas nos defrontamos com desafios que afetam milhões de pessoas. Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras”, lamentou.
O presidente criticou ainda a ideia de que a desregulamentação de mercados e o Estado mínimo seriam soluções para os problemas globais, observando que o protecionismo e o unilateralismo estão ressurgindo como respostas inadequadas. Ele citou a Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que indicou a necessidade de vontade política para enfrentar os desafios atuais.
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