No primeiro trimestre de 2026, um levantamento realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou dados preocupantes sobre a situação dos jovens brasileiros. Entre os 32,9 milhões de jovens com idades entre 14 e 24 anos, a maioria, cerca de 13,9 milhões, estava ocupada, enquanto 6,2 milhões não estavam inseridos nem na educação, nem no mercado de trabalho, caracterizando-se como “nem-nem”.
Os números fazem parte do Diagnóstico da Juventude Brasileira, que analisou dados de fontes como IBGE/PNAD Contínua, MTE/RAIS e eSocial. Apesar de o número de jovens ocupados ser expressivo, mais da metade (52%) dos adolescentes que trabalham ainda permanece em seus empregos por menos de um ano, o que levanta questionamentos sobre a estabilidade e a qualidade das oportunidades disponíveis.
“A conclusão é a de que temos muita gente na escola, menos gente fora do mundo do trabalho ou da escola. Nosso primeiro esforço é trazer essas pessoas de volta para a escola. Eventualmente trabalhando, se precisar, para poder remunerar”, afirmou Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE.
A participação dos jovens de 14 a 17 anos na força de trabalho foi avaliada em 15,6%, um índice considerado positivo, pois indica que mais jovens estão se dedicando aos estudos. Por outro lado, a participação dos jovens entre 18 e 24 anos ficou em 68,7%, ainda não alcançando os níveis pré-pandemia, o que sugere que há espaço para reinserir aqueles que deixaram a força de trabalho.
Os dados da pesquisa mostram que a maioria dos jovens está mais escolarizada do que nunca, utilizando seus diplomas como um passaporte para o mercado de trabalho. Contudo, o desafio central permanece: converter a escolaridade em empregos decentes, qualificados e bem remunerados. Dos jovens analisados, 73% possuem ao menos o ensino médio, 2,3 milhões estão matriculados no ensino superior e 944 mil já concluíram essa etapa.
“Nós temos um desafio grande porque a credencial mínima para o mercado de trabalho é o ensino médio. Cada vez mais isso é visível em todos os lugares do Brasil. Não só nas atividades urbanas, mas também nas rurais”, avaliou Paula.
Embora a taxa de desemprego entre os jovens tenha diminuído, os dados ainda indicam que essa população necessita de mais oportunidades. No primeiro trimestre, 25,1% dos adolescentes de 14 a 17 anos estavam desempregados, enquanto a taxa entre os jovens de 18 a 24 anos era de 13,8%, bem acima da média nacional de 5,8%.
“A taxa de desemprego jovem caiu pela metade desde o pico de 2021. Os números absolutos estão entre os menores da série: 2,7 milhões de jovens (18-24) e 586 mil adolescentes desempregados. Entrar no mercado segue mais difícil para quem começa, mas temos elementos importantes: muita gente ficando na escola ou trabalhando e estudando”, destacou Paula.
A formalização dos empregos entre os jovens também apresentou um dado significativo, alcançando 57,8%, com 8 milhões de vínculos formais entre jovens de 14 a 24 anos. Mais da metade já possui carteira de trabalho, o que mostra uma tendência positiva em relação à formalização.
“Existe um mito sendo formado de que jovem não quer ser celetista. Jovem não quer chefe resmungão, quer ter possibilidade de diálogo e alguma flexibilidade, principalmente quando ele tem prova, precisa resolver algum problema”, analisou.
As ocupações que mais contratam jovens de 14 a 24 anos incluem balconistas e vendedores, escriturários gerais, auxiliares de construção de edifícios, recepcionistas e caixas. De acordo com os dados, 59% dos jovens estão inseridos nas 20 maiores ocupações, sendo que um em cada cinco atua em atividades de escrituração ou vendas em lojas.
Por fim, um dos pontos que merece atenção é que, embora os jovens tenham acesso ao emprego, a permanência nas ocupações ainda é um desafio. Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, 52% ficam menos de um ano em seus empregos. Isso ocorre, segundo Paula, porque muitos jovens estão em fase de experimentação, sem compreender plenamente as demandas do trabalho.
“Quando eu trago um jovem adolescente, eu deveria trabalhar com ele para sua formação. Precisa gastar tempo para explicar, supervisionar e ajudá-lo a compreender porque tem que ser feito de tal maneira”, avaliou Paula.
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