Mercado financeiro elevou previsão da inflação para 5,33% em 2025 e mantém Selic em 14% ao ano. Para o sertanejo, o cenário significa preços mais altos e crédito mais caro por mais tempo.
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a referência oficial da inflação no Brasil, aumentou de 5,3% para 5,33% para este ano. Essa estimativa foi divulgada no Boletim Focus, uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central (BC) que reúne as expectativas das instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.
Mesmo após a divulgação de um acordo para o fim da guerra no Oriente Médio, que tem impactado os preços dos combustíveis e dos alimentos, a expectativa para o IPCA até o final de 2026 foi elevada pela décima quinta semana consecutiva, ultrapassando o intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central.
A meta de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No último mês, os preços dos alimentos foram um dos principais responsáveis pela pressão sobre a inflação, que registrou um fechamento de 0,58%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já ultrapassando o teto da meta de inflação.
Para os anos seguintes, a projeção de inflação para 2027 subiu de 4,1% para 4,15%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,7% e 3,5%, respectivamente.
Em relação à taxa Selic, que é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, a taxa básica de juros está atualmente em 14,25% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa foi reduzida em 0,25 ponto percentual, pela terceira vez consecutiva, apesar das incertezas em relação ao fim do conflito no Oriente Médio.
Desde junho de 2025 até março deste ano, a Selic esteve em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. O Copom começou a reduzir os juros em março, em um cenário de queda da inflação, mas a guerra no Oriente Médio tem dificultado uma redução mais rápida.
O Copom indicou que a continuidade das incertezas sobre o acordo para cessar os conflitos e os efeitos já observados foram fatores determinantes para a decisão de reduzir a Selic. O comitê também ressaltou que o tamanho total do ajuste dependerá dos próximos dados econômicos, visando garantir que a inflação retorne à meta.
Nesta edição do Focus, os analistas de mercado elevaram a estimativa para a taxa Selic, ao final de 2026, de 13,75% ao ano para 14% ao ano. O próximo encontro do Copom para definir a Selic ocorrerá nos dias 4 e 5 de agosto, e o mercado acredita que será a última redução do ano.
Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic caia para 12% ao ano e 10,25% ao ano, respectivamente. Já em 2029, a expectativa é que a taxa fique em 10% ao ano.
Altas taxas de juros, quando mantidas por longos períodos, encarecem o crédito, tornando mais difícil a aquisição de produtos, como no caso de compras parceladas ou financiamentos. Isso pode levar a uma redução no consumo e dificultar a expansão da economia. Por outro lado, quando a Selic é reduzida, há uma tendência de que o crédito fique mais acessível, incentivando a produção e o consumo, além de ajudar a controlar a inflação.
No Boletim Focus, a estimativa de crescimento da economia brasileira para este ano passou de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,7%, com expectativas de crescimento de 2% para 2028 e 2029.
No primeiro trimestre de 2026, a economia brasileira cresceu 1,1% em comparação com o último trimestre de 2025, e no acumulado de 12 meses, a expansão foi de 2%, segundo o IBGE. Em 2025, a economia cresceu 2,3%, com todos os setores apresentando crescimento, especialmente a agropecuária.
A previsão da cotação do dólar ao final deste ano é de R$ 5,20, e para 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,27.
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