O Distrito Federal aprovou socorro bilionário ao Banco de Brasília após prejuízos com o Banco Master. A dívida pesa no bolso de todos os brasileiros, inclusive dos sertanejos sergipanos.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, na noite de hoje (9), o projeto de lei (PL) que autoriza o governo do Distrito Federal (GDF) a contratar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Essa quantia será destinada a cobrir parte do prejuízo que o Banco de Brasília (BRB) enfrentou devido a transações realizadas com o Banco Master, sob a gestão do banqueiro Daniel Vorcaro, entre os anos de 2024 e 2025.
O PL nº 2363/2026, de autoria do Poder Executivo, estabelece medidas que, segundo o GDF, são essenciais para restabelecer e fortalecer as condições econômico-financeiras do BRB. O projeto foi aprovado em regime de urgência, obtendo 11 votos favoráveis, nove contrários, uma abstenção e três ausências. A aprovação ratifica os termos do acordo firmado entre o GDF, o BRB, a União e o Banco Central.
Antes da aprovação na Câmara, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia homologado o acordo, o que gerou críticas de políticos e especialistas sobre a falta de transparência no processo de socorro ao BRB. A instituição ainda não divulgou seu balanço financeiro de 2025, que deveria ter sido apresentado até 31 de março, sob pena de multas diárias.
“Até agora, não sabemos qual o real tamanho do rombo do BRB e quanto roubaram do banco”, comentou o senador Renan Calheiros (MDB-AL) durante audiência pública, questionando a falta de informações.
Na Câmara Legislativa, deputados da oposição e independentes criticaram o projeto, alegando que apresenta falhas e falta de clareza em relação aos detalhes da operação, como taxas de juros e prazos. Em contrapartida, parlamentares governistas defenderam a medida, destacando a urgência em preservar o BRB.
O texto aprovado também estabelece as contragarantias que o GDF oferece para obter o empréstimo, vinculando-as aos recursos recebidos dos fundos de Participação dos Estados (FPE) e de Participação dos Municípios (FPM). Além disso, o GDF se compromete a implementar medidas de controle de despesas públicas, o que poderá limitar novas contratações e reajustes salariais para servidores públicos.
Entidades que representam categorias de servidores, como o Sindicato dos Professores (Sinpro), alertaram que o pagamento do empréstimo pode afetar recursos destinados à educação, saúde e segurança pública, comprometendo a qualidade dos serviços. A diretora do Sinpro, Márcia Gilda, destacou que a entidade não é contra o BRB, mas sim contra o acordo que pode prejudicar o controle público da instituição.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, informou que as “possíveis perdas” do banco estatal são estimadas em R$ 8,8 bilhões, resultado de uma auditoria que apontou irregularidades nas transações com o Banco Master. Para lidar com essa situação, além do empréstimo, o GDF e o BRB planejam securitizar a dívida ativa do Distrito Federal, antecipando receitas tributárias.

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