Com turbulência externa, o dólar subiu a R$5,226, maior patamar desde 30 de março. A bolsa recuou pelo quarto pregão seguido, pressionada pela aversão ao risco e pela alta dos rendimentos dos títulos dos EUA.
Em um dia marcado por turbulências no exterior, o dólar ultrapassou a barreira de R$ 5,20 e fechou vendido a R$ 5,226, o maior nível desde 30 de março. A bolsa brasileira recuou pelo quarto pregão consecutivo, em um ambiente de aversão ao risco e alta dos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos.
Principais números
- Dólar à vista: R$ 5,226 (+0,83%)
- Ibovespa: 182.991,13 pontos (-0,26%)
- Petróleo tipo Brent: US$ 97,83 (+0,40%)
- Petróleo tipo WTI: US$ 92,60 (+0,21%)
A moeda dos Estados Unidos avançou desde o início dos negócios e chegou a superar R$ 5,22 ainda pela manhã, fechando a sessão com alta de 0,83%. O movimento refletiu a valorização do dólar frente a outras moedas de países emergentes: o índice que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de seis divisas subiu 0,05% no fechamento.
No exterior, o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA contribuiu para um cenário menos favorável a ativos de maior risco. O rendimento do Treasury de dez anos terminou o dia em 5,2319%, ante 5,181% na sexta-feira (25), pressionando fluxos de capitais em direção a economias avançadas.
No mercado doméstico, as atenções seguiram voltadas para as eleições presidenciais, sem que as pesquisas divulgadas ao longo do dia alterassem o quadro de disputa acirrada. O Banco Central informou que o Brasil registrou déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes em agosto, enquanto o investimento direto no país somou US$ 7,396 bilhões no mês.
No boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada toda segunda-feira pelo Banco Central, a projeção mediana para o dólar no fim deste ano permaneceu em R$ 5,20. A estimativa para a inflação de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, e a previsão para 2027 passou de 4,30% para 4,31%.
O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, após oscilar entre a mínima de 181.931,36 e a máxima de 184.094,65 pontos. Com o resultado, o principal índice da Bolsa acumulou o quarto dia seguido de baixa, embora ainda mantenha alta de 3,14% em setembro e de 13,57% no ano.
O ambiente externo também pressionou as ações, com retração das bolsas em Nova York: o S&P 500 terminou a sessão em baixa de 0,77%. No mercado brasileiro, a alta do petróleo ajudou a sustentar papéis do setor de energia, enquanto o índice Small Caps, que não inclui a Petrobras, caiu 1,2% no dia.
O petróleo fechou em alta, mas com ganhos reduzidos ao longo do pregão, diante de incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e das dificuldades de normalizar o tráfego pelo Estreito de Ormuz. O barril Brent para dezembro subiu 0,40%, para US$ 97,83, e o WTI avançou 0,21%, para US$ 92,60.
Durante a sessão o preço do petróleo chegou a subir mais fortemente, mas recuou após informações sobre possíveis avanços nas negociações e medidas para ampliar a oferta. A Arábia Saudita retomou o bombeamento do oleoduto Leste-Oeste, com fluxo estimado em cerca de 3,5 milhões de barris por dia, e os carregamentos de exportação foram retomados no porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Apesar desses sinais de aumento da oferta, as restrições à navegação em Ormuz e as tensões na região mantiveram volatilidade nos preços.
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