A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Bioenergia Brasil se manifestaram, em 3 de junho de 2026, sobre as preocupações levantadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acerca do acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro.
Em nota, as entidades esclareceram que a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado não é exclusiva para os Estados Unidos, mas obedece às normas da Tarifa Externa Comum do Mercosul. Essa informação é crucial no contexto das relações comerciais entre os dois países.
“Cabe ainda ressaltar que os Estados Unidos mantêm há décadas políticas de proteção ao açúcar, por meio de um sistema de tarifas proibitivas e cotas que limitam as exportações brasileiras para o mercado norte-americano a um volume que representa menos de 1% das exportações totais do Brasil”, diz a nota, assinada por ambas as entidades.
A declaração das entidades brasileiras surge em um momento em que o governo dos Estados Unidos propõe uma nova tarifa punitiva de 25% sobre as importações do Brasil, com base na alegação de que algumas práticas brasileiras seriam desleais. A justificativa para essa medida é uma investigação iniciada em julho de 2025, que concluiu que políticas e práticas do Brasil são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.
Essa investigação abrangeu diversas áreas, incluindo comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, concessão de tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal. O USTR argumenta que, nestes pontos, haveria prejuízo para as empresas e exportações dos EUA, o que poderia resultar em punições ao Brasil.
As entidades brasileiras também enfatizaram o papel estratégico do etanol nacional na transição energética global. “O etanol brasileiro é reconhecido internacionalmente como uma das soluções mais eficientes para a descarbonização dos transportes, combinando baixa intensidade de carbono, critérios robustos e auditáveis de sustentabilidade e contribuição efetiva para a redução das emissões de gases de efeito estufa”, afirmaram.
“Tratase de um combustível alinhado às principais agendas globais de transição energética, segurança energética e desenvolvimento sustentável”, escreveram.
Além disso, Unica e Bioenergia Brasil defenderam que quaisquer divergências comerciais devem ser tratadas por meio do diálogo e da negociação, a fim de preservar a relação bilateral, que é histórica e importante para ambos os países. “A Unica e a Bioenergia Brasil reafirmam a confiança de que o governo brasileiro seguirá conduzindo esse processo com responsabilidade, firmeza e competência diplomática, em defesa dos interesses estratégicos do país”, concluíram.
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