O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, se posicionou firmemente contra a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, classificando-a como “extremamente injusta” e “totalmente descabida”. Durante uma coletiva de imprensa em Brasília na última terça-feira, 02 de junho de 2026, Alckmin reafirmou o compromisso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reverter essa recomendação antes que ela seja formalizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Alckmin destacou ainda a importância do sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, enfatizando que o assunto não está em pauta para negociação com os Estados Unidos. “O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém”, afirmou o vice-presidente.
“Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores prejudicam, colocam os seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público”, disse Alckmin, denunciando ações internas que, segundo ele, visam prejudicar o Brasil durante as negociações.
O vice-presidente também abordou as alegações dos Estados Unidos sobre o desequilíbrio nas transações comerciais. Ele argumentou que a balança comercial é “amplamente favorável” aos Estados Unidos, com um superávit de US$ 40 bilhões para eles no último ano. “Dos dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos ao Brasil, oito contam com alíquota zero”, explicou Alckmin, ressaltando que a tarifa média cobrada pelo Brasil sobre importações norte-americanas é de 3,1%. Em contrapartida, ele criticou o protecionismo do governo Trump, especialmente em setores como o do açúcar.
Alckmin também mencionou os avanços do Brasil em relação ao desmatamento ilegal, destacando que o país registrou a maior queda no desmatamento nos últimos sete anos. “Na Amazônia, o desmatamento caiu mais de 50%. O Brasil tem compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030”, lembrou. O vice-presidente afirmou que o governo está focado em intensificar o diálogo técnico com os Estados Unidos, buscando reverter ou mitigar a taxação antes do prazo final, que é 15 de julho. Ele também lembrou encontros recentes entre o presidente brasileiro e Donald Trump, enfatizando a continuidade do diálogo entre as nações.
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