O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, uma nota destacando a “notável resiliência” da economia brasileira frente aos “múltiplos choques” que o país tem enfrentado, tanto em relação a pressões internas quanto externas.
De acordo com a análise do FMI, o Brasil está “relativamente protegido” dos aumentos globais nos preços do petróleo, que são resultantes do conflito no Oriente Médio. A proteção se deve à condição do país como exportador de petróleo e à significativa participação de fontes renováveis na matriz energética nacional.
Essas observações foram feitas após o término da missão anual do FMI ao Brasil, que se concluiu na sexta-feira, 29 de maio. O chefe da missão, Daniel Leigh, afirmou que os indicadores econômicos atuais mostram sinais de recuperação que podem levar o Brasil a um crescimento gradual de cerca de 2,5% no médio prazo.
“Os riscos para as perspectivas de crescimento estão inclinados para o lado negativo, incluindo a deterioração das tensões geopolíticas e o aperto das condições financeiras”, alertou Leigh.
Apesar dessa avaliação positiva, o FMI não deixou de apontar riscos no cenário internacional. No entanto, a instituição também reconheceu que o Brasil possui importantes pilares que sustentam sua economia, como um sistema político estável, um sistema financeiro robusto, reservas adequadas e um regime cambial flexível.
O FMI considerou apropriadas as recentes reduções das taxas de juros, mas fez um apelo à cautela em relação às pressões inflacionárias. Além disso, recomendou a manutenção e ampliação dos esforços fiscais para garantir a sustentabilidade da dívida pública e abrir espaço para investimentos.
O relatório do FMI ainda enfatizou que reformas estruturais e uma agenda ambiental proativa podem impulsionar um crescimento mais forte e inclusivo no futuro.
Na análise do FMI, a redução das taxas de juros realizada pelo Banco Central nos meses de março e abril foi adequada, alinhando-se ao regime de metas de inflação. A flexibilidade nas futuras medidas de política monetária foi destacada como essencial, considerando a incerteza econômica e as pressões inflacionárias decorrentes dos altos preços globais da energia.
Por fim, o reconhecimento do FMI sobre a resiliência da economia brasileira foi comentado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Durante a reunião de encerramento da missão do FMI, Durigan reafirmou o compromisso do governo em alcançar um crescimento anual sustentável de pelo menos 4%, impulsionado por um aumento da produtividade.
“A eficiência do Estado e o compromisso fiscal são fundamentais, mesmo diante de choques externos”, destacou o ministro.
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