Na última quarta-feira, 27 de maio de 2026, a Comissão da Câmara dos Deputados realizou uma sessão em que foi debatida a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Brasil e reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. A proposta gerou intensas críticas por parte dos parlamentares da oposição.
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) foi uma das vozes contrárias à mudança. Segundo ela, a definição da jornada de trabalho deveria ser feita por meio de negociações entre patrões e trabalhadores, e não por uma Emenda Constitucional. “Estamos preocupados com a qualidade de vida do trabalhador, mas também se o aumento na mão de obra não vai afetar aqueles que já enfrentam dificuldades financeiras”, destacou.
“É óbvio que estamos preocupados com a qualidade de vida do trabalhador, mas é óbvio que estamos preocupados também se o custo que vai aumentar na mão de obra não vai recair sobre aquele povo já tão sofrido que reclama que o dinheiro dele não dá para nada”, comentou a parlamentar.
O deputado Gilson Marques (Novo-SC), que pediu o adiamento da votação, reconheceu que a escala 6×1 é desgastante, mas argumentou que a mudança abrupta poderia prejudicar os trabalhadores. “Tentar acabar com isto na marra, na força da lei, pode piorar ainda mais para quem trabalha. O verdadeiro problema é o Estado”, afirmou.
Marques enfatizou que a transição para a escala 5×2 poderia impactar negativamente pequenos empreendedores, consumidores e trabalhadores. Ao mesmo tempo, a deputada Júlia Zanatta mencionou que o Partido Liberal (PL) apresentaria uma proposta para reduzir a escala para 4×3, provocando discussões sobre a nova postura do partido.
A deputada Erika Hilton (Psol-SP), uma das autoras da PEC, criticou a oposição, alegando que os argumentos apresentados eram uma “manobra” para atrasar o processo de votação. “Desenterram isso para enganar o trabalhador brasileiro, porque sabem que não temos condições de refazer aquilo que já está acordado”, disse.
O fim da escala 6×1 e a redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais foram acordos entre o governo e lideranças da Câmara. Erika Hilton também defendeu, para o futuro, a votação da redução da jornada para 36 horas com escala de 4×3. “Propuseram 10 anos de transição e agora tentam desviar o foco”, argumentou.
Caso a proposta seja aprovada, o Brasil se juntará a outros países da América Latina que já implementaram a redução da jornada de trabalho. A PEC em discussão prevê que a mudança entre em vigor 60 dias após a promulgação, com um cronograma para a redução progressiva da jornada.
Com a proposta, a duração do trabalho não deverá ultrapassar oito horas diárias e 40 horas semanais, podendo ser ajustada mediante acordo coletivo. Trabalhadores com salários superiores a R$ 21.188,87 estariam isentos dessa jornada, enquanto os terceirizados teriam um prazo maior para se adaptar.
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