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Economia

UE suspende importação de produtos animais do Brasil e afeta até US$2 bi

Claudio Vasconcelos
Last updated: 03/09/2026 18:53
Claudio Vasconcelos
Published: 03/09/2026
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UE suspende importação de produtos animais do Brasil e afeta até US bi

A medida atinge carnes bovina, frango e suína, além de mel, pescado e ovos, e pode reduzir exportações em até US$2 bilhões. O Brasil terá auditoria da UE nas cadeias de frango e mel na tentativa de reverter o bloqueio.

A União Europeia começou nesta quinta-feira (3) a suspensão da entrada de produtos de origem animal do Brasil em seus 27 países-membros. A medida atinge carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos, e pode afetar até US$ 2 bilhões por ano em exportações brasileiras.

O bloqueio não é necessariamente definitivo: o Brasil tentará comprovar que atende às exigências europeias e uma auditoria da UE avaliará as cadeias de frango e mel no país. A inspeção deve terminar nesta sexta-feira (4) e o resultado ainda precisará ser analisado pelas autoridades europeias, processo que pode levar cerca de dois meses.

O que foi suspenso?

  • Carne bovina
  • Carne de frango
  • Carne suína
  • Mel
  • Pescados
  • Ovos

A partir desta quinta-feira, novas cargas desses produtos não poderão entrar no mercado dos 27 países da União Europeia. A medida atinge principalmente os segmentos de carne bovina e de frango, que têm participação relevante nas exportações brasileiras para o mercado europeu.

Por que a UE bloqueou?

A restrição ocorre porque o bloco considera insuficientes os mecanismos brasileiros de controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A União Europeia tem regras que proíbem o emprego de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais e veda o uso de substâncias reservadas ao tratamento de infecções em seres humanos. A avaliação europeia é de que o sistema brasileiro de controle não oferece garantias suficientes para comprovar o cumprimento dessas regras.

O governo brasileiro contesta esse entendimento e afirma que a legislação nacional já restringe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, seguindo referências internacionais. A suspensão não foi anunciada após a identificação de contaminação ou de irregularidade sanitária em lotes brasileiros; trata-se da avaliação dos mecanismos de controle e rastreabilidade.

Quanto o Brasil pode perder?

O impacto potencial estimado chega a US$ 2 bilhões por ano considerando os produtos afetados. Somente a carne bovina respondeu por aproximadamente US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras para a UE em 2025. Embora o mercado europeu represente parcela limitada do total das exportações brasileiras de carne bovina, ele é estratégico por comprar cortes de maior valor agregado. A substituição desses compradores é complexa, pois diferentes mercados demandam cortes específicos.

O que o Brasil fez?

  • Proibição de determinados antimicrobianos
  • Criação de regras adicionais de controle
  • Proposta de período de transição (rejeitada pela UE)
  • Elaboração de um protocolo de rastreabilidade
  • Comprovação de controle sobre o uso dessas substâncias na produção

O novo protocolo prevê o acompanhamento do animal desde o nascimento até o abate, permitindo comprovar que determinados antimicrobianos não foram usados durante sua vida. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), todas as empresas associadas e habilitadas a exportar para a União Europeia já aderiram ao protocolo privado desenvolvido pelo setor.

Prazos e perspectivas por produto

Para a carne bovina, a retomada poderá ser mais demorada, porque o novo sistema exige rastreamento durante todo o ciclo de vida do animal. Um bovino submetido às novas regras hoje pode levar entre 24 e 36 meses até chegar ao abate. No caso do frango, o ciclo produtivo é bem menor: aproximadamente 45 dias entre o nascimento e o abate.

O setor avícola espera que as vendas para a União Europeia possam ser retomadas ainda em 2026, dependendo do resultado da auditoria. Caso o bloqueio permaneça, parte da produção destinada à UE poderá ser redirecionada para o mercado interno, para países do Oriente Médio e para outros mercados internacionais. O Brasil exporta carne de frango para cerca de 150 países, o que oferece alternativas para parte da produção.

O mel também foi incluído na suspensão. As exportações brasileiras de mel para a União Europeia dobraram no primeiro semestre de 2026, chegando a US$ 6,3 milhões, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).

A suspensão poderá ser revertida se a UE considerar que as exigências foram atendidas, mas não há data definida para a retomada das exportações. Enquanto isso, autoridades e setores do país seguem negociando e implementando medidas para buscar a reabertura dos mercados europeus.

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ByClaudio Vasconcelos
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz.
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