Em janeiro de 1935, Sergipe se tornava um palco importante para as discussões políticas do Brasil com a fundação do Centro de Estudos Plínio Salgado, idealizado por Omer Mont’Alegre, redator do jornal O Sigma. O centro tinha o objetivo de reunir simpatizantes do integralismo, um movimento que emergia em meio a uma crise das democracias liberais e ao avanço de ideais comunistas. Plínio Salgado, líder da Ação Integralista Brasileira (AIB), visitou a capital sergipana, sendo recebido com entusiasmo por dezenas de apoiadores, com registros fotográficos que marcam a história.
A década de 1930 foi um período em que a AIB se destacou como a maior organização fascista de massa fora da Europa. Adaptando os princípios do fascismo italiano ao contexto brasileiro, a AIB buscava estabelecer um Estado Integral que eliminaria as contradições sociais, de raça e de gênero, que considerava como causas de conflitos internos. Contudo, esse ideal estava imerso em um contexto de autoritarismo crescente, especialmente sob o governo de Getúlio Vargas, que promovia a repressão e a perseguição aos que se opunham ao movimento.
A AIB utilizava uma intensa estratégia de doutrinação, que englobava não apenas publicações próprias, mas também simbolismos como as camisetas verdes e a letra sigma do alfabeto grego, representando a soma. Esses elementos contribuíram para criar um forte sentimento de pertencimento entre os filiados, conforme analisado pelo pesquisador Odilon Caldeira Neto em seu livro “Sob o signo do sigma”.
Apesar do apelo do movimento, que contava com intelectuais respeitados entre seus membros, a AIB não conseguiu se apropriar do poder devido à repressão imposta pelo Estado Novo, que tornou a organização ilegal. Esse fato foi encarado pelos integralistas como uma traição.
A chegada do integralismo a Sergipe, um estado de menor destaque no cenário nacional, revela que a ideia não estava isolada, já que outros estados, como Ceará e Bahia, também contavam com um número expressivo de filiados. Essa popularidade do integralismo apresentava-se como uma alternativa em tempos de crise, permitindo que suas ideias se expandissem por várias regiões.
Em Aracaju, o movimento conquistou a atenção de estudantes de colégios prestigiados, que eram parte da elite dominante. Embora pareça uma questão do passado, o integralismo ainda ressoa no presente; em 2019, um grupo que se dizia inspirado por essas ideias atacou com bombas incendiárias a sede da produtora de vídeos Porta dos Fundos. O que sabemos sobre o integralismo e seu significado, especialmente em Sergipe? Essas questões permanecem abertas, convidando à reflexão sobre um capítulo complexo da nossa história.
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