Um recente vazamento de dados no sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) impactou 2,8 milhões de Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs), conforme anunciado na última terça-feira, 26 de maio, pela Dataprev, a estatal responsável pelo processamento das informações da Previdência Social.
As informações foram reveladas durante uma reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS). A empresa informou que aproximadamente 98% dos dados acessados pertenciam a pessoas já falecidas, mas cerca de 52 mil segurados vivos tiveram suas informações expostas no incidente de segurança que ocorreu em abril.
O número de registros afetados é superior à estimativa inicial apresentada por técnicos do INSS, que apontavam cerca de 2 milhões de registros comprometidos.
Conforme a Dataprev, os acessos indevidos envolveram CPFs e datas de nascimento dos segurados. A estatal destacou que um mesmo CPF pode ter sido consultado mais de uma vez, o que ajuda a explicar o grande volume de acessos registrados.
Apesar do impacto, a empresa garantiu que não houve liberação indevida de benefícios ou contratação automática de empréstimos consignados. As investigações preliminares indicam que a falha ocorreu devido a uma vulnerabilidade no aplicativo Meu INSS.
“Era uma consulta que estava dentro de uma interface logada, mas ela aceitava uma resposta para quando você estivesse em um ambiente público”, afirmou Edmar dos Santos Ferreira Junior, representante da Dataprev no CNPS.
O incidente, segundo Ferreira, durou apenas um dia. Assim que o erro foi identificado, a Dataprev corrigiu a falha e está implementando novas barreiras de segurança para evitar consultas simultâneas em massa.
A estatal também informou que, como medida de proteção adicional, novos controles de segurança foram estabelecidos, com limites de acesso. Em nota, o INSS destacou que a concessão de benefícios passa por várias etapas de validação e segurança.
“A concessão de qualquer benefício possui uma série de travas de segurança. O INSS tem reforçado seus controles internos a fim de oferecer maior segurança à análise de seus benefícios”, declarou a autarquia.
O vazamento foi identificado em 22 de abril, mas sua divulgação ocorreu apenas na semana passada. A Dataprev e o INSS acionaram a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) logo após a descoberta do problema. O caso gerou preocupações entre especialistas em segurança digital devido à quantidade de dados expostos.
Embora o governo assegure que não houve concessão irregular de benefícios, especialistas alertam que as informações vazadas podem ser utilizadas em golpes e fraudes financeiras. O banco de dados do INSS contém informações pessoais de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais, incluindo dados cadastrais e vínculos empregatícios.
Esta não é a primeira vez que o INSS enfrenta falhas de segurança. Em 2024, o instituto confirmou outro incidente que expôs informações sigilosas de aposentados e beneficiários de programas assistenciais. Naquela ocasião, o governo também garantiu ter reforçado os mecanismos de proteção dos sistemas previdenciários.
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