Em Sergipe, muitos líderes religiosos, como pastores e padres, têm utilizado o púlpito para apresentar políticos e pedir votos durante as missas e cultos. Um exemplo notório é o Padre Pavão, que frequentemente faz isso com seus aliados políticos em Aracaju. Essa prática, no entanto, pode ter consequências sérias.
Na última terça-feira, 25 de maio de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE/SP) que cassou o mandato da prefeita de Votarantim, Fabíola Alves, e de outros dois candidatos. O motivo? A prefeita fez campanha dentro de uma igreja, o que foi classificado como abuso de poder.
O advogado especialista em direito eleitoral, Gustavo Costa, do escritório Eduardo Ribeiro Advocacia, comentou a decisão, destacando sua relevância para as eleições deste ano. “No culto, o pastor apresentou os candidatos como se fossem da Igreja, configurando um abuso de poder”, afirmou. A defesa da prefeita alegou que não houve pedido explícito de voto, mas o Tribunal entendeu que outros fatores demonstraram o abuso, como a promoção pessoal e a instrumentalização da fé em benefício de candidatos.
“A presença do candidato em um ambiente religioso com uma conotação política pode ensejar abuso de poder”, alertou Gustavo Costa. “É recomendável que os candidatos consultem seus advogados antes de participar de eventos religiosos durante a campanha.”
A decisão do TSE pode mudar a dinâmica das campanhas eleitorais. O advogado enfatizou que a liberdade religiosa não protege aqueles que utilizam o espaço sagrado para fins eleitorais. A situação levanta questionamentos sobre a conduta de alguns pastores e padres, que, segundo a crítica popular, parecem ignorar princípios éticos em nome da política.
O tema gera reflexões sobre como os candidatos devem se comportar em eventos religiosos. Afinal, com novas regras em vigor, será necessário adaptar as estratégias de campanha, talvez realizando ações mais tradicionais, como visitar a população de porta em porta. Isso levanta a questão: como os líderes religiosos e os políticos irão se adaptar a essas novas diretrizes?
A população também deve estar atenta a esses desenvolvimentos, pois a participação ativa nas eleições e o acompanhamento das práticas permitidas ou não nos cultos religiosos são essenciais para a manutenção da ética e da democracia.









Siga o Jornal do Sertão e receba as notícias do sertão sergipano em primeira mão.

