A plataforma pública e gratuita de streaming, chamada Tela Brasil, foi oficialmente lançada no último sábado, 30 de maio de 2026. Com um acervo inicial de 555 obras audiovisuais brasileiras, a iniciativa é uma realização do Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, permitindo acesso integrado por meio do login do Gov.br.
O lançamento aconteceu na Cidade das Artes, localizada na zona Oeste do Rio de Janeiro, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da Tela Brasil como um instrumento de soberania cultural. Ele afirmou:
“A Tela Brasil vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”
Lula também fez críticas ao excesso de conteúdos estrangeiros disponíveis na programação nacional, lamentando a qualidade de muitos programas.
“A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver, não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira,”
disse o presidente.O governo anunciou um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025, destinado ao licenciamento do catálogo, desenvolvimento tecnológico e ferramentas de acessibilidade. Lula ainda ressaltou a necessidade de aumentar a conscientização sobre a participação econômica do setor cultural e sua capacidade de gerar empregos.
“O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos,”
acrescentou.A ministra da Cultura, Margareth Menezes, explicou que a criação da plataforma visa ampliar o acesso ao direito cultural, ressaltando as dificuldades na distribuição de obras audiovisuais.
“Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”
O acervo inicial da Tela Brasil inclui conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e obras preservadas por instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira e a Funarte. O catálogo abrange obras de 1910 a 2025 e é dividido em diversas categorias, como infância, juventude, artes e brasilidade.
Dentre as 555 obras disponíveis, estão clássicos como A Hora da Estrela, Xica da Silva, Central do Brasil e Cidade de Deus. Além disso, a plataforma apresenta 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar, e uma categoria especial chamada Africanidades, que aborda as trajetórias e experiências da população negra.
Todos os títulos disponíveis contam com recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A professora Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL, destacou a importância da acessibilidade, afirmando:
“Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória.”
Para acessar a Tela Brasil, os usuários precisam de uma conta ativa no Gov.br. A plataforma oferece dois perfis: o Perfil Cidadão, para uso individual, e o Perfil Direcionado, para exibições coletivas em instituições como escolas e bibliotecas. No início, o serviço está disponível no navegador de computadores, com opções de transmissão para Smart TVs, enquanto aplicativos para celulares Android e iOS devem ser lançados em até 30 dias. Durante o evento, também foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Cultura e a TV Brasil, visando ampliar a oferta e circulação de conteúdos audiovisuais.
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