As stablecoins, criptomoedas projetadas para manter seu valor atrelado a moedas tradicionais como o dólar e o real, passaram a dominar as operações com criptoativos declaradas à Receita Federal no Brasil. De acordo com informações do Fisco, esses ativos foram responsáveis por cerca de 80% do volume negociado em 2025.
Essa mudança de perfil no mercado brasileiro ocorre às vésperas da implementação da DeCripto, uma nova plataforma de declaração de criptoativos que se tornará obrigatória a partir de julho. A DeCripto, instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291, de novembro de 2025, visa criar um novo modelo de prestação de informações sobre transações com criptoativos, alinhando o Brasil ao padrão internacional de transparência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conhecido como Crypto-Asset Reporting Framework (CARF).
A Receita Federal ressalta que a adoção desse padrão busca aumentar o controle sobre operações com ativos digitais, fortalecendo o combate à evasão de divisas, lavagem de dinheiro e financiamento de atividades criminosas.
“As stablecoins são criptomoedas desenvolvidas para manter um valor estável, normalmente equivalente ao de uma moeda fiduciária”, explica um especialista do setor.
Esses ativos são amplamente utilizados para movimentação de recursos, transferências internacionais e proteção contra a volatilidade de outras criptomoedas. Dados históricos da Receita mostram que as stablecoins deixaram de ser um segmento secundário no mercado nacional para se tornarem predominantes em poucos anos. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda dos principais criptoativos, dos quais cerca de R$ 1,13 trilhão, ou 71,7%, corresponderam às stablecoins.
Nos últimos anos, a participação mensal desses ativos se manteve acima de 80% do volume negociado. Em 2019, as stablecoins representavam apenas 3,5% do volume mensal declarado de criptoativos. Esse percentual cresceu rapidamente, alcançando 79,7% em 2022 e 91,5% em 2023, com um pico de 94,3% em julho daquele ano.
O volume financeiro também teve um aumento significativo. Em novembro de 2025, as operações declaradas com stablecoins atingiram R$ 39,7 bilhões, o maior valor mensal da série histórica. A USDT, emitida pela Tether e atrelada ao dólar americano, lidera as transações, concentrando quase 90% do volume movimentado. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, a USDT respondeu por 88,7% de todo o volume declarado, equivalente a aproximadamente R$ 1 trilhão.
Além disso, a Receita Federal destaca que uma parte significativa das operações com stablecoins ocorre por meio de prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior. Com a entrada em vigor da DeCripto, essas empresas também terão a obrigação de informar operações realizadas com clientes brasileiros. Essa exigência se aplica tanto a empresas estabelecidas no Brasil quanto a plataformas estrangeiras que atuam no país, conforme previsto na Lei nº 14.754/2023 e na Instrução Normativa RFB nº 2.291, reforçando a necessidade de maior transparência nas operações com ativos digitais.
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