Resultados divulgados mostram o Brasil estável com 408 (leitura), 377 (matemática) e 409 (ciências) entre alunos de 15 anos. Apesar de reduzir a distância para países da OCDE, o desempenho segue abaixo das médias: 466, 469 e 486.
A divulgação dos resultados do Pisa referentes a 2025 trouxe dados que mostram avanço, mas também mantêm um quadro de desempenho escolar no Brasil abaixo da média dos países mais desenvolvidos. Os resultados, divulgados nesta terça-feira (8), mantiveram-se estáveis em relação a 2022 e apontaram notas de 408 em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências para os estudantes brasileiros de 15 anos.
Na comparação com a média de 23 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, as médias ficam em 466 (leitura), 469 (matemática) e 486 (ciências). Cada 20 pontos correspondem, segundo o estudo, a um ano escolar. Em matemática, por exemplo, a diferença equivale a cerca de 4,6 anos de atraso em relação à média desses países.
Apesar do desempenho inferior, a distância em relação à média da OCDE diminuiu ao longo das últimas duas décadas. Entre 2006 e 2025, a diferença passou de 102 para 58 pontos em leitura (redução de 44 pontos), de 131 para 92 em matemática (redução de 39 pontos) e de 113 para 77 em ciências (redução de 36 pontos).
O ciclo de 2025 envolveu 760 mil estudantes em 91 países; o Brasil participou com 30.140 alunos. Do total avaliado no país, 72,4% eram oriundos da rede estadual e 96,9% dessas escolas estavam em áreas urbanas. Cerca de 84,7% dos estudantes avaliados estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do Ensino Médio na época das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025.
Nesta edição, o foco foi o letramento em ciências, com maior número de itens aplicados. Foi justamente em ciências que o Brasil registrou a maior evolução em relação a 2022, subindo de 403 para 409 pontos.
O Pisa 2025 introduziu também o domínio “Aprendizagem no Mundo Digital”, com dois atributos: Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC) e Processos de Aprendizagem Autorregulada. No atributo RPFC, o Brasil obteve 406 pontos, abaixo da média da OCDE (500). Entre 19 países selecionados, a Coreia do Sul teve a maior média (538) e o Paraguai a menor (352).
“O resultado também reflete a implementação da Lei nº 15.100/2025, que estabeleceu regras para o uso de celulares na educação básica em todo o país”
observou a pasta, em nota. A avaliação traz ainda dados sobre o uso de celulares: 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas com restrições ao uso desses dispositivos, ante 37% em 2022, e acima da média da OCDE (49%).
O conjunto de informações do Pisa aponta que o Brasil teve recuperação pós-pandemia de covid-19 melhor que a média da OCDE em ciências entre 2018 e 2025, superando o desempenho pré-pandemia nessa área e registrando perdas menores em leitura e matemática.
Nos questionários contextuais, 72% dos estudantes brasileiros disseram ter interesse por diversos assuntos e 59% afirmaram se esforçar mais diante de desafios. Caiu para 16% a parcela que considera a escola uma perda de tempo, percentual inferior à média da OCDE (24%).
Os dados também mostraram engajamento com questões ambientais: 84% acreditam que podem gerar impactos positivos para o meio ambiente, 87% confiam na ação coletiva para enfrentar desafios ambientais e 77% dizem saber trabalhar em grupo para promover mudanças, percentuais acima da média da OCDE.
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