O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou nesta sexta-feira, 10 de julho, o Boletim Agroclimatológico referente ao mês de julho, com previsões para o trimestre que abrange julho, agosto e setembro de 2026. O relatório aponta para temperaturas acima da média histórica em diversas partes do Brasil, enquanto as chuvas devem ser inferiores ao normal em áreas das regiões Norte e Nordeste. A Região Sul, por sua vez, terá maior disponibilidade de água no solo.
A previsão foi elaborada com base em um modelo multimodelo do Inmet, do Centro de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Os dados refletem tendências para o trimestre e não devem substituir as previsões de curto prazo.
O boletim segue um mês de junho caracterizado pela irregularidade nas chuvas, onde a maior parte dos volumes foi registrada na faixa litorânea, destacando-se Salvador, que contabilizou 229,6 milímetros no mês. Em contraste, regiões do oeste da Bahia, sul do Maranhão, Piauí e Vale do São Francisco, em Pernambuco, tiveram precipitações abaixo de 40 milímetros e baixa reserva de água no solo.
No que diz respeito à Região Norte, a previsão é de chuvas abaixo da média em grande parte dos estados entre julho e setembro, com desvios de até 100 milímetros no norte do Amazonas. As temperaturas devem apresentar anomalias de até 2°C em estados como Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins e parte do norte de Rondônia.
Apesar disso, no norte do Amazonas, Roraima, Amapá e norte do Pará, o armazenamento de água no solo deverá superar 70% da capacidade em julho e agosto, o que pode beneficiar a colheita de milho da segunda safra e sorgo. No centro-sul da região, no entanto, a previsão é de uma redução gradual na disponibilidade de água no solo, com déficits que podem ultrapassar 130 milímetros em setembro, especialmente em Tocantins, Amapá e Pará.
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O Inmet alerta que lavouras de milho da segunda safra, que não contam com irrigação e estão em fase de enchimento de grãos, poderão enfrentar dificuldades no desenvolvimento. A estiagem também deve impactar a produção de forragem e aumentar o estresse térmico nos rebanhos até o final do trimestre.
Na Região Nordeste, a previsão é de chuvas abaixo da média, com desvios que podem chegar a 50 milímetros. As temperaturas se manterão acima da média histórica, com elevações entre 0,5°C e 1°C na maior parte da região. Os maiores desvios, de até 2°C, foram previstos para o Maranhão, sudoeste e centro-norte do Piauí e extremo oeste da Bahia.
A faixa litorânea entre o Rio Grande do Norte e a Bahia deverá ter condições mais favoráveis em julho e agosto, com armazenamento de água no solo acima de 60% da capacidade. As chuvas nessa área são favorecidas pela umidade proveniente do oceano e pela atuação dos Distúrbios Ondulatórios de Leste.
No interior nordestino, a situação hídrica tende a se agravar ao longo do trimestre, com déficits mais acentuados nas regiões do Maranhão, Piauí, Ceará e oeste do Rio Grande do Norte em julho. Em agosto, a previsão é de que essa restrição se estenda ao extremo oeste baiano e áreas do interior da Paraíba e de Pernambuco, e em setembro, déficits superiores a 100 milímetros devem ser registrados em grande parte do interior nordestino.
Essa combinação de menos chuvas, temperaturas elevadas e menor armazenamento de água no solo exige atenção especial para as lavouras de milho e feijão da terceira safra em sistema de sequeiro, especialmente nas fases de floração e enchimento de grãos, com risco maior no semiárido oriental e nas regiões de Sergipe, Alagoas e leste da Bahia. Por outro lado, o clima mais seco pode beneficiar a colheita do algodão no oeste do Matopiba, abrangendo o sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e extremo oeste da Bahia, embora o boletim preveja uma redução na produção e na qualidade da forragem nas áreas de sertão.
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