Boletim Mensal nº 2 do Painel El Niño (julho) aponta Três Marias e Sobradinho em condição operacional normal. Com a intensificação do fenômeno, o monitoramento do Rio São Francisco é reforçado para o 2º semestre de 2026.
Os reservatórios de Três Marias e Sobradinho permanecem em condições operacionais normais, mas a intensificação do fenômeno El Niño aumenta a necessidade de monitoramento do Rio São Francisco durante o segundo semestre de 2026.
Essa informação foi divulgada no Boletim Mensal nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, referente ao mês de julho. O documento reúne análises de órgãos como Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil Nacional e Censipam.
Conforme o boletim, o nível do Rio São Francisco em Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia, situava-se na porção inferior da faixa de normalidade. Embora essa condição não indique um nível abaixo do normal, é considerada menos confortável do ponto de vista hidrológico.
A previsão de chuvas abaixo da média associada ao El Niño pode dificultar a recuperação dos níveis dos reservatórios e manter condições mais secas na bacia nos próximos meses.
Em 27 de julho, o reservatório de Três Marias, em Minas Gerais, armazenava 92,5% do volume útil, enquanto Sobradinho, localizado entre os municípios baianos de Sobradinho e Casa Nova, apresentava 80,8%. Ambos os reservatórios registraram uma redução em relação a junho: uma queda de 3,3 pontos percentuais em Três Marias e de 5,6 pontos percentuais em Sobradinho, dentro do esperado para o período de menor entrada de água.
Apesar da diminuição, Três Marias apresenta o maior armazenamento registrado para essa data desde 1993. Sobradinho, por sua vez, conta com o 15º maior volume para o período em uma série histórica de 47 anos. Ambos os reservatórios continuam acima de 60% do volume útil e estão dentro da Faixa de Operação Normal, conforme estabelecido para o Sistema Hídrico do Rio São Francisco.
Nessa condição, não há restrição de vazão máxima mensal para os reservatórios. No entanto, as liberações devem respeitar outros parâmetros definidos para a operação do sistema hídrico.
Preços vistos na Amazon em 11/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
O boletim informa que Sobradinho deve manter uma vazão mínima diária de 800 metros cúbicos por segundo, enquanto em Xingó, entre Alagoas e Sergipe, o mínimo estabelecido é de 1.100 metros cúbicos por segundo.
O cenário atual dos reservatórios reduz o risco de restrições imediatas na operação. Contudo, a perspectiva para as vazões naturais do rio exige atenção, devido à tendência de menor precipitação. O modelo hidrológico distribuído do Cemaden indica a continuidade da recessão das vazões nos principais rios brasileiros para agosto, com valores podendo permanecer abaixo da média histórica, especialmente nas bacias dos rios São Francisco e Tocantins-Araguaia.
A redução das vazões é um comportamento sazonal do São Francisco, pois o segundo semestre inicia durante o período seco em grande parte da bacia. O fenômeno El Niño pode intensificar esse processo, caso reduza ou atrase a reposição das chuvas. O boletim esclarece que a resposta dos rios é mais lenta do que a diminuição das precipitações, dependendo da chuva acumulada nas áreas a montante, da água armazenada no solo e dos aquíferos, além do escoamento que alimenta os cursos d’água.
Por isso, a manutenção do tempo seco pode resultar em efeitos hidrológicos mais intensos nas semanas seguintes, mesmo quando os níveis ainda estiverem próximos da normalidade.
O fenômeno El Niño foi confirmado em junho de 2026, com projeções indicando 100% de probabilidade de sua manutenção até, pelo menos, o início de 2027. Há também uma alta possibilidade de que o evento alcance intensidade muito forte entre a primavera e o verão, quando o aquecimento da superfície do Oceano Pacífico Equatorial pode ultrapassar 2°C.
Para o trimestre de agosto a outubro, o prognóstico conjunto do Inpe, Inmet e Funceme aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da normal climatológica no Nordeste e em grande parte do centro-norte do Brasil. As temperaturas também devem se manter acima da média em várias regiões do país, o que pode aumentar a evaporação, diminuir a umidade do solo e elevar a pressão sobre os recursos hídricos.
O quadro regional já apresenta pontos de atenção, com a seca moderada atingindo 40% da Região Nordeste em junho de 2026, comparado a 10% no mesmo mês em 2023, quando se iniciava o episódio anterior de El Niño. A seca atual apresenta impactos de curto e longo prazo, indicando que as condições secas persistem há mais tempo. Em algumas áreas, as reservas de água ainda não foram totalmente recuperadas.
O aumento das temperaturas pode elevar a demanda evaporativa da atmosfera, intensificar a perda de umidade do solo e acelerar os efeitos da seca sobre o abastecimento e a segurança hídrica. No levantamento parcial do trimestre de maio a julho, 55 municípios brasileiros foram classificados em situação de seca severa, em comparação com 38 no trimestre anterior. As condições moderadas e severas estão concentradas principalmente na região do Matopiba, que inclui o oeste da Bahia.
Para a agropecuária nordestina, o tempo mais seco pode favorecer a colheita do milho de segunda safra e do algodão, especialmente no Matopiba, além de auxiliar na secagem natural dos grãos. Por outro lado, o boletim aponta dificuldades para o estabelecimento da safra de verão, redução do potencial produtivo de lavouras de sequeiro e aumento da demanda por irrigação.
A menor disponibilidade hídrica também pode elevar os custos de produção e afetar a oferta de água para a pecuária, sendo que esses efeitos dependem da duração da estiagem e da distribuição das chuvas nos próximos meses. Na bacia do São Francisco, esse cenário é especialmente relevante para as áreas irrigadas do oeste e do norte da Bahia, além dos perímetros agrícolas próximos a Sobradinho, Juazeiro e Petrolina.
Siga nossas redes e entre no nosso canal exclusivo de notícias.

