O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus, que faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS), atende cerca de 11 mil pessoas das etnias Apurinã, Jamamadi, Jaminawa, Kaxarari, Kaxinawá / Huni Kuin, Madiha / Kulina e Manchineri. Essa área abrange 155 aldeias, com populações que variam entre 30 a 300 pessoas, onde a comunicação se dá através de idiomas de três troncos linguísticos, além do português.
O acesso a essas comunidades é complicado. Dependendo da localização das aldeias, seja no Acre, Amazonas ou Rondônia, os profissionais de saúde utilizam caminhonetes ou barcos em dias de clima favorável. Já em condições adversas, podem ter que recorrer a quadriciclos, botes ou até helicópteros.
Cada etnia tem suas peculiaridades culturais, e o atendimento deve ser descentralizado, levando em consideração as crenças e práticas de cada povo. Evangelista Apurinã, coordenador do DSEI, destaca que é fundamental entender como funciona a estrutura social das comunidades, pois isso afeta diretamente as estratégias de vacinação. “Se não soubermos desses detalhes, vamos estar colocando a carroça na frente dos bois, e não vamos conseguir fazer o serviço”, afirma.
A equipe de vacinação, conhecida como turma do Zé Gotinha, enfrenta grandes desafios logísticos. Como não é viável manter unidades de saúde em todas as aldeias, os profissionais trabalham de forma itinerante, passando até 40 dias em campo. O armazenamento das vacinas é outra preocupação, pois elas precisam ser mantidas em temperaturas entre 2º e 8º Celsius. Para garantir isso, utilizam freezers nos barcos e caixas térmicas.
A enfermeira Kislane de Araújo Dias, responsável pela área de Imunizações do DSEI, explica que o planejamento é feito com base em um censo vacinal, que contém dados de todas as famílias. Isso permite que a equipe saiba exatamente quantas doses de cada vacina serão necessárias para cada aldeia. “Geralmente, escolhemos um local central na aldeia para atender as pessoas, mas também fazemos visitas casa a casa quando necessário”, ressalta.
A enfermeira Evelin Plácido, que tem vasta experiência em saúde indígena, destaca a importância de um planejamento detalhado para evitar que as vacinas sejam expostas a temperaturas inadequadas durante o transporte. Recentemente, Evelin ministrou um curso em Rio Branco para capacitar profissionais que atuam em comunidades de difícil acesso.
O curso abordou não apenas as normas técnicas de vacinação, mas também a importância da comunicação com a comunidade. Kislane enfatiza que os profissionais devem adotar um diálogo aberto, explicando o que são as vacinas e como elas podem ajudar a proteger a população indígena. “Não podemos simplesmente impor nosso conhecimento, precisamos dialogar e ouvir as necessidades da comunidade”, conclui.
Essa capacitação é promovida pela farmacêutica MSD, que fornece vacinas para o Programa Nacional de Imunizações. A gerente-médica de vacinas da empresa, Aline Okuma, informa que essa foi a quarta capacitação voltada para profissionais que atuam na saúde indígena, reforçando a importância do trabalho colaborativo e da formação continuada.





Fonte: Agência Brasil – Saúde
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