Entre os dias 29 e 31 de julho, Aracaju sediou a 5ª edição do Sergipe Oil & Gas (SOG26), principal encontro da cadeia produtiva de petróleo e gás do estado. A programação reuniu cerca de 90 expositores, congresso técnico, feira de negócios, rodadas comerciais, arenas temáticas e visitas técnicas, consolidando o evento como um espaço estratégico para apresentação de oportunidades de investimentos e fortalecimento do setor.
O grande destaque desta edição foi o Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), da Petrobras, considerado um dos maiores investimentos da indústria brasileira de petróleo e gás para a próxima década. Além de ampliar significativamente a produção de petróleo, o projeto reforça o potencial de Sergipe como fornecedor de gás natural, criando condições para atrair novos empreendimentos industriais, como fábricas de fertilizantes, termoelétricas, data centers e outras atividades de grande consumo energético.
O SEAP prevê a instalação de duas plataformas do tipo FPSO, com capacidade para produzir 240 mil barris de petróleo por dia e processar até 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A produção de petróleo está prevista para 2030, enquanto a exportação do gás deverá começar em 2031, consolidando Sergipe como uma das principais fronteiras ‘offshore’ do país.
Marcos do evento
Durante o Sergipe Oil & Gas, a diretora-executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, anunciou que a companhia prevê iniciar, em 2027, a implantação dos gasodutos do SEAP em Sergipe. A infraestrutura terá 134 quilômetros de extensão, sendo 111 quilômetros em trecho marítimo e 23 quilômetros em terra, além da interligação de 32 poços e da instalação de equipamentos submarinos. Segundo a Petrobras, a licitação para fornecimento das árvores de natal molhadas (ANMs) já está em andamento, enquanto novas contratações para as demais estruturas deverão ocorrer ainda em 2026.
Também durante o evento, foi destacada a importância de aproveitar os investimentos nos gasodutos do SEAP e a ampliação da oferta de gás natural para impulsionar a industrialização de Sergipe. A estratégia do Estado inclui a qualificação da mão de obra e o aperfeiçoamento do ambiente regulatório para atrair novas indústrias, gerar empregos e transformar esse potencial em desenvolvimento econômico.
Outro destaque foi a assinatura de dois acordos de cooperação técnica voltados ao fortalecimento do mercado de gás natural. Um deles formalizou a adesão de Sergipe ao Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural, tendo como um dos signatários a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec). O outro estabeleceu parceria entre a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Sergipe (Agrese), com foco na harmonização regulatória e no desenvolvimento sustentável do mercado estadual.
A programação também contou com o lançamento do livro “Cinco Anos da Lei do Gás: Conectando o Brasil ao Futuro”, organizado pela FGV Energia com apoio da Sedetec. A publicação reúne análises sobre os avanços proporcionados pelo novo marco legal do setor.
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Também fez parte da programação, como evento paralelo, a audiência prévia da Agrese para discussões iniciais sobre o modelo de gestão do concessionário Sergas S/A. O Energy Legal Talk também integrou o segmento paralelo da programação, fomentando debates sobre os ramos da advocacia no cenário energético local e nacional.
Descomissionamento
Além dos investimentos do Projeto Sergipe Águas Profundas, o descomissionamento de plataformas instaladas em águas rasas na Bacia Sergipe-Alagoas já impulsiona novas oportunidades de negócios. O tema vem ganhando espaço por movimentar uma cadeia de fornecedores e abrir novos mercados para empresas de engenharia, logística, manutenção e serviços especializados.
Em Sergipe, o programa prevê a retirada de 26 unidades de produção marítima, além do abandono de poços e da recuperação ambiental das áreas operacionais. Considerado um dos maiores do país, o descomissionamento deverá receber investimentos de aproximadamente US$ 1,7 bilhão até 2029.
Dessa forma, Sergipe vive duas etapas complementares da indústria do petróleo: o encerramento de operações em campos maduros e a implantação de uma nova fronteira de exploração ‘offshore’ através do SEAP.
Sergipe em destaque
O protagonismo de Sergipe no cenário nacional do petróleo e gás esteve nas discussões do Sergipe Oil & Gas. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o estado encerrou 2025 como o nono maior produtor de petróleo e gás do Brasil, com média de cerca de 12,4 mil barris de óleo equivalente por dia, mantendo em operação campos históricos, como Carmópolis, o maior campo terrestre produtor de petróleo do país.
Com a entrada em operação do SEAP, a Petrobras estima que Sergipe alcance uma produção equivalente a cerca de 20% da produção nacional de gás. Na prática, o projeto poderá multiplicar por quase vinte vezes a produção atual do estado, reposicionando Sergipe entre os principais polos brasileiros da indústria de petróleo e gás. A diretora-executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, destacou o impacto futuro. “Vai realmente contribuir não só para o gás do país, mas também para reduzir o preço do gás. Só se reduz preço com aumento da oferta. Hoje nós somos importadores”, afirmou.
Crescimento do Sergipe Oil & Gas
Criado em 2022 para aproximar operadoras, fornecedores, universidades, investidores e instituições públicas, o Sergipe Oil & Gas registra crescimento a cada edição. Em 2026, a quinta edição do evento reuniu mais de 90 marcas expositoras, mais de 3.200 participantes de oito países, incluindo Estados Unidos e Canadá, além de mais de 120 palestrantes distribuídos em 21 painéis.
A programação contou ainda com sete mídias parceiras, 21 instituições apoiadoras e 15 patrocinadores, reforçando o Sergipe Oil & Gas como um dos principais eventos do setor energético no Brasil e um ambiente estratégico para geração de negócios e atração de investimentos.
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