O chanceler alemão, Johann Wadephul, destacou a importância de se aliar a governos que compartilham a cultura democrática e de manter um certo nível de protecionismo econômico. Sua fala ocorreu durante o AHK Business Breakfast, promovido pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, evento que ele participou esta semana no Brasil.
Wadephul enfatizou que a aproximação entre países guiados por princípios como legalidade, segurança jurídica e igualdade de direitos é uma estratégia necessária em um cenário global marcado pela desconfiança. Ele citou a política tributária de Donald Trump nos Estados Unidos como um exemplo de desordem que a Alemanha tem rejeitado, apontando o Brasil como um parceiro importante. “Faz parte da nossa família”, afirmou.
O chanceler também ressaltou que a Alemanha continuará investindo em cooperações com a China, mas destacou a importância de um acompanhamento cuidadoso, especialmente porque a China vem conquistando uma fatia significativa da economia alemã. “Em alguns momentos, é um competidor. Porém, a gente adora concorrência, é o que nos move para criar melhores tecnologias e produtos”, disse Wadephul, que também mencionou a preocupação com a exportação de automóveis chineses a preços inferiores aos do mercado interno.
“A gente aprendeu que também precisa se defender e deve coordenar nossa política nesse sentido”, completou.
A porta-voz do Wilo Group, Svenja Ahlburg, também participou do painel e chamou a atenção para a falta de crédito ao Brasil. Ela destacou que o país é mais relevante para a indústria alemã do que se percebe no debate público e ressaltou a importância de gerar valor local e competitividade. “O acordo por si só não resolve”, disse Ahlburg, enfatizando a necessidade de inovação e competitividade para que o Brasil se torne um hub industrial.
A Alemanha é a maior economia da Europa e a terceira no mundo, além de ser o quarto principal parceiro comercial do Brasil, com um volume de negócios que chega a US$ 21 bilhões. O estoque de investimentos diretos da Alemanha no Brasil é de US$ 44 bilhões, colocando o país em sétimo lugar na lista de maiores investidores.
Recentemente, o Acordo Mercosul-União Europeia foi assinado com o intuito de estabelecer cooperações em diversos setores, como defesa e tecnologias sustentáveis. A Alemanha, por sua vez, é um dos principais financiadores de projetos ambientais, contribuindo com recursos significativos para o Fundo Amazônia e outros projetos que visam mitigar os impactos das mudanças climáticas no Brasil.
Siga nossas redes e entre no nosso canal exclusivo de notícias.

