Alta do petróleo favoreceu o mercado; o dólar caiu para R$ 5,153 (-0,54%). Dados do PIB apontam desaceleração e reforçam expectativas de corte da Selic.
Apesar das turbulências no exterior, a alta internacional do petróleo favoreceu o mercado financeiro no Brasil. O dólar caiu e a bolsa avançou, encerrando o dia em patamar que não se via há quase quatro meses.
O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira (1º) com queda de 0,54%, vendido a R$ 5,153. No início da sessão, a divisa chegou a subir para R$ 5,20 após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre, que mostrou desaceleração da economia. O resultado reforçou a percepção de que o Banco Central pode voltar a reduzir a Taxa Selic, atualmente em 14% ao ano.
Ao longo da manhã, porém, o dólar perdeu força e passou a operar em baixa, acompanhando outras moedas de países emergentes e a valorização do petróleo. Por volta das 14h20, chegou a cair para R$ 5,13. A queda da moeda brasileira em relação a pares emergentes ocorreu na contramão do comportamento do dólar frente a moedas de economias avançadas: o índice DXY subiu 0,27%, aos 99,681 pontos, no fim da tarde.
O Ibovespa ganhou força e fechou em alta de 1,3%, aos 179.722,48 pontos, depois de ultrapassar os 181 mil pontos pela primeira vez em quase quatro meses. O indicador atingiu o nível mais alto desde 12 de maio.
As ações da Petrobras estiveram entre os principais destaques, impulsionadas pela forte valorização do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais da companhia subiram 4,11% e as ordinárias avançaram 4,14%. Além disso, foi acompanhado o anúncio de reajuste médio de 13,9% no preço do querosene de aviação (QAV) pela empresa.
Outro fator que alimentou o otimismo no setor foi o recorde da produção brasileira de petróleo, que chegou a 4,5 milhões de barris por dia em julho, segundo dados da agência reguladora. A combinação de oferta doméstica elevada e preços internacionais mais altos pesou a favor dos papéis do setor.
O resultado do PIB também esteve no radar dos investidores. A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre na comparação com os três meses anteriores, após expansão de 1,1% no primeiro trimestre. O dado mostrou perda de ritmo da atividade, com retração do consumo das famílias e menor dinamismo da indústria, mas também reforçou as expectativas de cortes na Selic.
Na última sessão de agosto, o mercado acionário brasileiro registrou saída líquida de R$ 130 milhões em capital estrangeiro. No acumulado de agosto até o dia 28, o saldo negativo tinha chegado a quase R$ 18,6 bilhões. A alta doméstica contrastou com o pessimismo em Wall Street: o S&P 500 terminou o dia em queda de 0,71%, enquanto o rendimento do título de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos subiu, em meio a movimento global de venda de títulos.
Principais números
- Dólar comercial: R$ 5,153 (-0,54%)
- Ibovespa: 179.722,48 pontos (+1,3%)
- Petróleo Tipo Brent: US$ 94,65 (+4,6%)
- Petróleo WTI: US$ 90,22 (+5,2%)
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