O Banco Central avalia conectar o Pix a plataformas e hubs multilaterais para viabilizar remessas e compras internacionais. Meta: ampliar acesso e liberar recursos em moeda local em segundos.
O Banco Central (BC) do Brasil está estudando a interligação do sistema de pagamentos Pix com plataformas de outros países e mecanismos multilaterais globais de pagamentos instantâneos. Essa iniciativa visa não apenas a diminuição das tarifas, mas também a ampliação do acesso a transações internacionais.
“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, diz o BC.
No dia 10 de agosto, o BC divulgou a agenda de novos produtos e funcionalidades do Pix, que será válida até 2025. O documento revela que a autoridade monetária também está monitorando modelos de transações internacionais que estão sendo implementados por empresas do Brasil e do exterior.
Entre as inovações planejadas, destaca-se a possibilidade de realizar transações por aproximação offline, sem a necessidade de conexão à internet, além da utilização do Pix automático como alternativa ao débito em conta.
Outra proposta em estudo pelo Banco Central é a integração do Pix ao mercado de crédito, permitindo que os “fluxos futuros de Pix” possam ser usados como garantias para financiamentos. O BC acredita que essa solução pode melhorar a qualidade das garantias e reduzir o custo do crédito, especialmente para empresas que utilizam o Pix com frequência.
O BC também tem se deparado com o uso inadequado do campo de mensagens nas transações do Pix, que tem sido utilizado para ofensas, ameaças ou intimidações, frequentemente associadas a transferências de valores baixos. Para tratar desse problema, a instituição criou um grupo de trabalho que discutirá alternativas para essa funcionalidade.
“Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens”, destaca o documento.
Além dessas questões, a segurança das transações via Pix é uma prioridade para o BC. O banco anunciou um plano com oito medidas para aprimorar essa segurança, incluindo a criação de “critérios objetivos mínimos” para a identificação de transações suspeitas de fraude. Atualmente, a determinação dos critérios é feita por cada instituição, o que pode gerar inconsistências.
O BC também planeja desenvolver um indicador de “probabilidade de fraude no Pix”, que será calculado em tempo real, utilizando inteligência artificial, e disponibilizado para as instituições participantes, ajudando na detecção de fraudes.
Outras mudanças incluem a padronização obrigatória dos “alertas de fraudes” e a melhoria no fluxo de informações para bloqueios cautelares de transações suspeitas. A criação de um sistema automatizado entre as instituições permitirá uma troca de informações mais eficiente, aumentando a precisão na detecção de fraudes.
Por fim, o sistema Pix também se tornou alvo de atenção internacional, especialmente do governo dos Estados Unidos, que justifica um aumento de tarifas sobre produtos brasileiros como uma resposta ao que considera uma “prática desleal” do Brasil no setor financeiro. Especialistas sugerem que essa reação está relacionada ao desafio que o modelo brasileiro representa para o controle financeiro dos EUA sobre a infraestrutura de pagamentos eletrônicos no país.
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