Os preços dos alimentos registraram a primeira queda desde novembro de 2025, contribuindo para que a inflação oficial encerrasse o mês de junho em 0,16%. Este resultado, referente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), representa a menor taxa desde outubro de 2025.
A inflação vem perdendo força há quatro meses consecutivos, uma vez que em maio o índice foi de 0,58%. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula 4,64%. Embora ainda esteja acima da meta do governo, que é de até 4,5%, esse número é inferior ao registrado até maio, que era de 4,72%. Em junho de 2025, a inflação foi de 0,24%.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No semestre, a inflação acumulada é de 3,36%. Confira os índices mensais da inflação oficial:
Junho: 0,16%
Maio: 0,58%
Abril: 0,67%
Março: 0,88%
Fevereiro: 0,70%
Janeiro: 0,33%
O IPCA do mês passado ficou abaixo das expectativas do mercado. Projeções do relatório Focus, publicado na última segunda-feira (6), indicavam uma inflação de 0,32% para junho. Para o final de 2026, o mercado estima uma inflação de 5,3%.
Entre os grupos de produtos e serviços analisados, os alimentos foram responsáveis pela maior pressão de baixa nos preços. Dentro do grupo alimentação, a alimentação no domicílio teve uma queda média de 0,39%. Este é o primeiro sinal de deflação desde novembro de 2025 e o menor índice desde agosto de 2025, quando a deflação foi de -0,83%. A alimentação fora do domicílio teve uma variação de 0,15%.
Os produtos alimentícios que mais impactaram a redução do IPCA foram:
Café moído: -3,72%
Frutas: -1,58%
Carnes: -0,64%
Açaí (emulsão): -14,41%
Óleo de soja: -2,78%
Tomate: -2,02%
Segundo o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, a queda nos preços dos alimentos reflete uma tendência de devolução de altas anteriores e uma maior oferta de produtos, como o tomate.
Por outro lado, o grupo habitação registrou a maior pressão de alta, principalmente devido ao aumento de 1,53% no custo da energia elétrica, que foi o principal fator responsável pela inflação do mês. Isso se deve à manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, além de reajustes em cidades como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
No grupo transportes, as passagens aéreas subiram 7,12%, contribuindo para a pressão inflacionária, enquanto os combustíveis apresentaram uma leve queda, com o etanol diminuindo 3,09% e o óleo diesel 1,19% mais barato.
O índice de difusão, que mede o quanto a inflação está disseminada, foi de 54%, indicando que mais da metade dos 377 produtos e serviços analisados pelo IBGE tiveram aumento de preço, o menor percentual desde outubro de 2025.
O IBGE divide o IPCA em dois grupos: serviços e monitorados. Em junho, o grupo de serviços subiu 0,34%, enquanto os preços monitorados variaram 0,29%. O IPCA é o principal índice utilizado pelo Banco Central para acompanhar a política de inflação do país.
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