A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) divulgou uma nota de esclarecimento referente ao vazamento de água na Barragem de Ceraíma, localizada em Guanambi. De acordo com a companhia, o problema não está na estrutura da barragem em si, mas sim em uma tubulação que abastece o Perímetro Irrigado de Ceraíma, a qual está conectada internamente à galeria de descarga do reservatório.
A nota foi emitida pela 2ª Superintendência Regional da Codevasf, com sede em Bom Jesus da Lapa. A empresa pública destacou que já estão sendo tomadas medidas para corrigir o problema, informando que um contrato foi firmado para a substituição das comportas do sistema de adução e a realização de obras civis na casa de máquinas da Barragem de Ceraíma, com um investimento total previsto de R$ 2.955.693,10.
“Nas condições atuais, um reparo imediato exigiria a interrupção do fornecimento de água ao perímetro irrigado por cerca de três meses. Essa medida causaria graves transtornos aos agricultores locais”
Assim, a Codevasf optou por adotar medidas emergenciais para solucionar o problema de forma definitiva, buscando minimizar os impactos sobre a produção irrigada na região. Entre as ações já realizadas estão a inspeção subaquática da estrutura, com serviço de mergulho, a aquisição de duas novas comportas hidráulicas e dois novos stop-logs, além da compra de dois conjuntos motobombas flutuantes completos, que incluem bombas, motores, painéis elétricos e tubulação.
As novas comportas e os stop-logs já foram adquiridos e estão armazenados no escritório da companhia em Guanambi. As próximas etapas consistirão na instalação dos conjuntos motobombas flutuantes no lago da barragem e na interligação da adutora desses equipamentos à rede que abastece o Perímetro Irrigado de Ceraíma. Também está prevista a instalação de uma ensecadeira, que é uma estrutura utilizada para criar um bloqueio de segurança durante a intervenção, além da instalação das novas comportas hidráulicas e dos novos stop-logs.
A Codevasf ressaltou que parte das ações preliminares já está em execução e que o prazo estimado para a conclusão definitiva dos reparos é de três meses. A companhia destacou que intervenções dessa magnitude requerem estudos rigorosos e cuidados técnicos especializados.
A preocupação com a perda de água na Barragem de Ceraíma aumentou entre produtores rurais, lideranças locais e usuários do reservatório. Nas últimas semanas, estimativas locais apontaram que a vazão do vazamento teria aumentado, passando de aproximadamente 120 mil litros por hora para algo entre 250 mil e 300 mil litros por hora. No limite superior estimado, a perda poderia chegar a 7,2 milhões de litros por dia, o que representa um desperdício significativo ao longo do mês.
O problema é antigo, existindo há cerca de dez anos, e tem gerado preocupações entre os agricultores que dependem da regularidade no fornecimento de água para manter suas atividades produtivas. A formalização mais recente relacionada aos reparos foi publicada no Diário Oficial da União, tratando do 2º Termo Aditivo ao Contrato nº 0.0388.00/2023, firmado entre a Codevasf e a empresa All Energy Engenharia Ltda. O contrato foi retomado em 11 de maio de 2026, com prazos e valores ajustados, e a execução física do contrato estava em 12% na ocasião.
A Barragem de Ceraíma desempenha um papel crucial na região de Guanambi, atendendo o Perímetro Irrigado de Ceraíma, além de contribuir para o abastecimento urbano. Segundo a última medição da Codevasf, o reservatório armazenava 20,5 milhões de metros cúbicos de água, o que equivale a 40,2% da capacidade total. A área do Perímetro Irrigado de Ceraíma é composta por mais de 1.000 hectares, distribuídos em 137 lotes de produção, cultivando principalmente frutas e cereais que dependem da disponibilidade hídrica.
A Codevasf reafirmou seu compromisso com a transparência, a segurança hídrica e o desenvolvimento social da região.
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