O Instituto Federal Baiano (IF Baiano) apresenta uma série de inovações tecnológicas no Campus Guanambi, focadas no desenvolvimento de drones destinados ao uso agrícola, ambiental e educacional. Sob a coordenação do professor Leandro Gonçalves, as pesquisas têm sido realizadas desde 2013 e surgiram inicialmente de projetos de iniciação científica.
O objetivo central é transformar uma tecnologia comumente usada em conflitos armados em soluções civis que possam beneficiar a agricultura e o meio ambiente. Os drones desenvolvidos no IF Baiano têm a função de monitorar lavouras, aplicar bioinsumos, identificar plantas invasoras e analisar o estado nutricional das culturas, tudo isso visando otimizar as atividades no campo.
“A principal motivação foi reduzir custos e criar soluções personalizadas para as demandas do instituto”, afirma o professor Leandro.
A equipe, ao longo dos anos, desenvolveu diversos protótipos, alguns dos quais não chegaram a voar, mas agora já conta com modelos mais estáveis e com potencial para aplicação comercial. Entre as inovações, destaca-se o Colibri PRO, considerado o modelo mais avançado da linha criada pelo grupo de pesquisa. Este modelo se destaca pelo conceito de open hardware, ou hardware aberto, permitindo que outros interessados estudem, fabriquem e melhorem a tecnologia.
A linha Colibri é composta por cinco modelos: Lite, PRO, Cargo, Micro e Mini. Segundo o professor, a abertura dos arquivos visa estimular o interesse pela área e convidar mais pessoas a participarem do desenvolvimento de drones no Brasil.
Além disso, a iniciativa busca reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras. Com a utilização da impressão 3D, aqueles que têm acesso aos arquivos e equipamentos necessários podem produzir componentes dos drones e realizar reparos e adaptações, o que, segundo a equipe, amplia a colaboração e fortalece a formação de novos pesquisadores.
A participação dos estudantes é fundamental nesse processo. Gabriel Montalvão Santos, aluno de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e ex-aluno do curso técnico em Informática para Internet, participou dos projetos Educa Drones e Drones Guanambi. Segundo ele, os drones Colibri surgem dessas experiências e têm um enfoque educacional, como no caso do modelo Colibri Lite, que é voltado para o ensino de matemática, física e tecnologia de drones, alinhando-se à metodologia STEAM.
Atualmente, uma das frentes de pesquisa é aumentar a autonomia de voo dos drones, o que é crucial para aplicações agrícolas em áreas maiores. A equipe já conseguiu aumentar em cerca de 30% o tempo de operação dos drones. Essa melhoria foi obtida através da redução de peso estrutural e da miniaturização de componentes eletrônicos, além da criação de baterias com maior densidade energética.
“O peso da aeronave é um dos principais desafios técnicos. Quanto mais leve o drone, maior tende a ser sua autonomia”, explica o professor Leandro.
Nos testes mais recentes, o modelo Colibri Lite obteve entre 19 e 20 minutos de autonomia com baterias fabricadas no próprio laboratório. A estrutura dos drones é impressa em 3D, facilitando a manutenção em caso de danos e permitindo constantes atualizações. Essa maior autonomia possibilita maior área de monitoramento em cada operação, essencial para o planejamento das atividades agrícolas.
As aplicações no campo incluem monitoramento de lavouras, pulverização de bioinsumos, aplicação de fertilizantes e defensivos, além de auxiliar no transporte agrícola em regiões montanhosas. O professor Leandro ressalta que a agricultura familiar também pode se beneficiar, especialmente pela redução do tempo de trabalho e pelo aumento da precisão nas aplicações.
Além das utilizações agrícolas, os projetos têm relevância ambiental. Um exemplo é o uso de drones em levantamento planialtimétrico no Campus Catu, onde foram identificados problemas de desvio irregular de águas pluviais. A tecnologia também pode ser utilizada para identificar processos erosivos e áreas de preservação.
A experiência adquirida no laboratório tem um impacto direto na formação dos estudantes. Gabriel destaca que as atividades de programação e análise de imagens são aplicadas na prática, o que enriquece seu aprendizado. Outra participante, Floriane Trindade Amorim, também está envolvida nas pesquisas e relata que o uso de drones com equipamentos mais acessíveis pode trazer resultados significativos na agricultura.
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