O aumento no volume de água perdido pela Barragem de Ceraíma, em Guanambi, gerou preocupação entre produtores rurais, lideranças locais e usuários do reservatório. O incremento nos vazamentos, que saltou de aproximadamente 120 mil litros por hora para entre 250 mil e 300 mil litros por hora, foi identificado nas últimas semanas, de acordo com estimativas locais.
No limite superior estimado, a perda chega a 7,2 milhões de litros de água por dia. Em um mês, se o volume se mantiver nesse patamar, o desperdício pode ultrapassar 216 milhões de litros, equivalendo a 0,216 hectômetro cúbico (hm³). Este problema não é novo, já que o vazamento existe há cerca de dez anos e tem contribuído para a redução do nível do reservatório, que é vital tanto para irrigação no Perímetro Irrigado de Ceraíma quanto para o Sistema Adutor do Algodão.
O sistema capta água do rio São Francisco, em Malhada, e abastece Guanambi e outros municípios da região. A última medição da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), realizada no dia 12 de junho, indicou que a Barragem de Ceraíma armazenava 20,5 milhões de metros cúbicos de água, o que corresponde a 40,2% de sua capacidade total. No mesmo período do ano passado, o volume era de 23,9 hm³, ou 47% da capacidade, mostrando uma redução de 3,4 hm³ em relação ao ano anterior.
O prefeito de Guanambi, Nal Azevedo, e o secretário municipal de Agricultura, Vanderlei Florêncio, conhecido como Vanderlei de Ceraíma, têm cobrado medidas urgentes da Codevasf para resolver o problema do vazamento. O prefeito destacou que a situação agrava as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, que já lidam com a escassez de chuvas e a retirada de água do reservatório para abastecimento.
“Já convivemos com a escassez de chuvas e com a retirada de água pela Embasa para o abastecimento de outros municípios. Esse vazamento compromete ainda mais a disponibilidade hídrica da barragem e prejudica a atividade produtiva”, afirmou Nal Azevedo.
O secretário Vanderlei também expressou sua preocupação com o aumento da perda de água e defendeu uma intervenção imediata na estrutura.
“Calculamos que o volume de água perdido seria suficiente para irrigar quase 200 hectares de manga e outras culturas ao longo de um ano inteiro. É um desperdício inaceitável diante da importância da barragem para a produção agrícola da região”, afirmou.
Após as cobranças de lideranças locais, a empresa All Energy Engenharia Ltda firmou contrato com a Codevasf para realizar os serviços de reparo e conter o vazamento. O aditivo contratual foi publicado no Diário Oficial da União no dia 24 de junho. O contrato, que inclui a execução de obras de substituição das comportas do sistema de adução, foi reativado a partir de 11 de maio de 2026, com acréscimos e diminuições orçamentárias, totalizando R$ 2.955.693,10.
O prazo de vigência do contrato foi ampliado por dez meses, com término previsto para 11 de março de 2027. A execução física do contrato está em 12%. Os recursos destinados são vinculados à ação de Reabilitação de Barragens e de Outras Infraestruturas Hídricas, sob a gestão da Codevasf.
A Barragem de Ceraíma é fundamental para a região de Guanambi, garantindo água para a agricultura e complementando o abastecimento urbano. O Perímetro Irrigado de Ceraíma abrange mais de 1.000 hectares e cultiva cerca de 15 variedades de frutas e cereais. Esta produção é comercializada na região e em outros estados, gerando mais de 3 mil empregos diretos e indiretos e movimentando mais de R$ 1 milhão por mês na economia local.
Com o aumento do vazamento e a diminuição do volume armazenado, a urgência na execução dos reparos se torna cada vez mais evidente, preocupando produtores e lideranças sobre a segurança hídrica e a produção agrícola na região.
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