O sertão sergipano deve enfrentar mais calor e chuvas abaixo da média neste inverno. Previsão do Inmet aponta impacto direto do El Niño na região até setembro.
O inverno de 2026 deve ser caracterizado por temperaturas elevadas em quase todo o Brasil, com chuvas abaixo da média em várias regiões do Norte e Nordeste. Por outro lado, a Região Sul deve receber um volume maior de precipitações. Essas previsões fazem parte do Prognóstico Climático de Inverno, divulgado hoje, 18 de junho, pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A estação tem início oficial no Hemisfério Sul no próximo domingo, 21 de junho, às 5h24, e se estenderá até 22 de setembro. Para o trimestre que abrange julho, agosto e setembro, os modelos climáticos apontam a influência do fenômeno El Niño, que poderá se manifestar com intensidade forte ao longo desse período.
Conforme o prognóstico, a região Niño 3.4, fundamental para o monitoramento do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), já apresenta anomalias positivas na temperatura da superfície do mar desde março. As projeções indicam uma probabilidade de 100% de que o El Niño se manifeste entre julho e setembro, e 99,4% de chance de que seja forte.
O inverno é, tradicionalmente, a estação menos chuvosa em partes do Sudeste e Centro-Oeste, além de algumas áreas do Norte e Nordeste. A diminuição das chuvas se deve à maior presença de massas de ar seco, que reduzem a umidade e dificultam a formação de precipitações em grande parte do território nacional. Essa situação pode elevar o risco de queimadas e incêndios florestais, especialmente nas regiões onde a vegetação se torna mais seca, além de agravar problemas respiratórios nas épocas de umidade baixa.
Ao mesmo tempo, a chegada de massas de ar frio do sul do continente pode causar uma queda nas temperaturas, geadas nas regiões Sul e Sudeste, episódios de neve em áreas serranas da Região Sul e friagem em Mato Grosso, Rondônia, Acre e sul do Amazonas.
Na Região Norte, a previsão é de chuvas abaixo da média em quase todo o território durante o trimestre de julho a setembro, com temperaturas acima do normal, podendo haver desvios superiores a 1°C em relação à média histórica. Essa combinação de chuvas reduzidas e calor excessivo pode aumentar a evaporação e diminuir a disponibilidade de água no solo, elevando o risco de deficiência hídrica, o que requer atenção em pastagens, cultivos perenes e na agricultura familiar, especialmente em áreas com solo menos capaz de reter umidade.
No Nordeste, a previsão também aponta para chuvas abaixo da média em grande parte da região, exceto em algumas áreas do centro-oeste da Bahia, centro-sul do Piauí, extremo sul do Maranhão e extremo oeste de Pernambuco, que devem apresentar volumes mais próximos à média. As temperaturas vão permanecer acima da média, com os maiores desvios esperados no Maranhão, oeste do Piauí e oeste da Bahia. Em várias partes da Bahia, o padrão de tempo seco tende a ser uma característica do inverno, com uma maior amplitude térmica entre as madrugadas e tardes.
No Centro-Oeste, a previsão indica chuvas próximas à média, mas com temperaturas acima do normal. Isso pode beneficiar as colheitas de milho, algodão e cana-de-açúcar, embora a elevação das temperaturas possa intensificar a deficiência hídrica em algumas áreas. No Sudeste, Minas Gerais e Rio de Janeiro devem ter chuvas próximas à média, enquanto São Paulo terá volumes acima da média em algumas regiões, e o Espírito Santo, abaixo do padrão climatológico.
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