O Ministério da Saúde paralisou a aplicação da vacina contra dengue do Butantan após dois óbitos e 42 reações graves. A medida é preventiva enquanto os casos são investigados.
Nesta segunda-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após 42 pessoas apresentarem sintomas graves após serem vacinadas. Dentre esses casos, três necessitaram de internação e duas faleceram.
Os casos de reações adversas e os óbitos estão sendo investigados para determinar se há relação com a vacina. O ministério destaca que a suspensão é uma medida de precaução e reforça que as pessoas que receberam a vacina estão protegidas contra a dengue.
“É importante lembrar que essa vacina tem eficácia comprovada. Todas essas pessoas que estão vacinadas, elas estão protegidas conforme a proteção que é dada pela vacina”, afirmou Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, em entrevista à Rádio Nacional.
Gatti explicou que aqueles que receberam a vacina nos últimos 21 dias estão em um período conhecido como viremia vacinal, quando ainda há presença da forma enfraquecida do vírus da dengue no sangue. Isso ocorre porque a vacina “imita” a infecção de forma controlada, ajudando o organismo a desenvolver os anticorpos contra a doença.
Dessa forma, as pessoas vacinadas nesse período devem ficar atentas a sintomas semelhantes aos da dengue, como febre, dor no corpo, manchas na pele, sinais de sangramento e vômito. Gatti orienta:
“Se porventura tiverem algum desses sinais ou sintomas, elas devem procurar um serviço de saúde e devem procurar assistência”.
Para aqueles que foram vacinados há mais de 21 dias, não há necessidade de buscar atendimento médico, pois estão fora de qualquer risco e protegidos contra a dengue. Gatti enfatizou:
“As pessoas que foram vacinadas e estão bem, passaram do período de 21 dias, não têm o que se preocupar”.
A vacina do Butantan tem demonstrado eficácia de 65% na prevenção da dengue e em mais de 80% na prevenção de casos graves e hospitalizações. Até o dia 30 de maio, mais de 501 mil pessoas foram vacinadas com o imunizante, que foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. Na primeira fase de implantação, a vacinação ocorreu em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), focando adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, conforme a indicação aprovada para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Em março, também foi realizada uma ação de vacinação na região de Araguaína (TO), e em fevereiro, os profissionais de saúde da atenção primária começaram a ser vacinados. Antes de ser adotada no SUS, a vacina passou por todos os procedimentos necessários para uso no país, com mais de 11 mil pessoas vacinadas e monitoradas por até cinco anos durante os testes, que resultaram na autorização da Anvisa.
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