O Ministério da Saúde suspendeu a vacina do Butantan após 42 reações graves e duas mortes. Cidades do sertão aguardam novas diretrizes para retomar a imunização.
Os municípios e estados estão sendo orientados a armazenar as vacinas contra a dengue do Butantan até que novas diretrizes sejam emitidas pelo Ministério da Saúde. A informação foi confirmada por Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, em uma entrevista.
Na última segunda-feira, dia 8, o Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina após a ocorrência de 42 casos de reações adversas graves, incluindo duas mortes, que estão sendo investigadas para determinar se há relação com o imunizante.
“A orientação é que os municípios coloquem o imunobiológico em reserva dentro da sua rede de frio, ou seja, nós não vamos distribuir mais vacinas de dengue por hora”, afirmou Gatti.
Os estados que possuem vacinas contra a dengue devem mantê-las em estoque, e os municípios que tiverem doses devem guardá-las até nova ordem. Gatti ressaltou que a suspensão é uma medida de precaução até que a investigação sobre os casos de reações adversas seja concluída.
A vigilância de rotina do Programa Nacional de Imunização identificou os 42 casos de reações, que incluíram sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes, episódios de sangramento e até perda de consciência. Além disso, três casos graves foram registrados, levando à internação, e duas pessoas vieram a óbito.
Até o dia 30 de maio, mais de 501 mil pessoas foram vacinadas com o imunizante, incluindo profissionais de saúde e indivíduos acima de 15 anos em cidades como Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO).
A suspensão da vacina não significa que ela deixou de ser eficaz na prevenção da dengue, mas é uma medida cautelar para evitar riscos até que os casos sejam esclarecidos. Os eventos adversos são considerados raros, pois não foram observados durante os testes clínicos.
“O que aconteceu agora foi algo inesperado, identificado numa ação de vigilância de rotina, o que demonstra que a vigilância do Programa Nacional de Imunização está funcionando bem”, destacou Gatti.
A expectativa é que, após a divulgação dos casos de reações adversas, novas notificações possam ser registradas, uma vez que pessoas que não buscaram assistência podem agora se sentir motivadas a relatar seus sintomas.
O diretor alertou que aqueles que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem ficar atentos a sintomas como febre, dor no corpo, manchas na pele, sangramento e vômito, e que, caso esses sintomas apareçam, é fundamental buscar atendimento médico.
“As pessoas precisam ficar atentas ao surgimento de sintomas que levem a pensar em dengue. Se tiverem algum desses sinais, devem procurar um serviço de saúde”, orientou.
Para aqueles vacinados há mais de 21 dias, não há risco, e a vacina do Butantan é considerada eficaz, com uma proteção de 65% contra a dengue e mais de 80% contra casos graves e hospitalizações.
O diretor também informou que um comitê de especialistas será convocado para avaliar os dados da vigilância e definir a continuidade da vacinação. Ele ressaltou que ainda é cedo para prever uma decisão final sobre o assunto.
A vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda do Japão e recomendada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua a ser aplicada normalmente, já que não apresentou quaisquer sinais de segurança que justifiquem a suspensão. Gatti enfatizou que a vacina do Butantan é destinada apenas para pessoas a partir de 15 anos.
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