O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, no Palácio da Alvorada. Durante o encontro, Lula pediu que Durigan avaliasse os possíveis prejuízos que a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas poderia causar às empresas e bancos brasileiros.
Durigan destacou que a principal preocupação do governo brasileiro está relacionada ao impacto que tais classificações podem ter sobre a soberania econômica do Brasil e a estabilidade das instituições nacionais. O ministro enfatizou que o governo teme que a discricionariedade nas ações do governo norte-americano possa gerar prejuízos que não correspondam à realidade econômica do país.
“Vamos seguir combatendo as organizações criminosas, então nós insistimos nesse ponto e evitar que haja prejuízo irreal, fantasioso para nossa economia. Nós temos que evitar isso com todo custo. É uma grande injustiça”, declarou Durigan após a reunião.
O ministro ressaltou que a estratégia do governo é evitar que empresas e bancos brasileiros se tornem alvos de sanções ou restrições baseadas em critérios que não representem a realidade concreta do Brasil. Ele expressou interesse em dialogar com autoridades dos Estados Unidos sobre a classificação das facções, embora não tenha conversas agendadas com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
“Eu estou sempre aberto [a reuniões com Bessent]. Tenho contato direto com as autoridades norte-americanas, mas, por enquanto, não. A gente está reunindo as informações, vendo o que vem pela frente, avaliando os próximos passos”, afirmou Durigan.
O ministro também ressaltou que o governo brasileiro está traçando diagnósticos para abordar a situação com informações claras e uma posição definida. O objetivo, segundo Durigan, é proteger os empresários, empregos e instituições financeiras do Brasil contra interferências externas que possam prejudicar o desenvolvimento nacional.
“O que vier do exterior para colaborar no combate ao crime organizado, ótimo. A gente sempre acha bem-vindo. O que não pode é quando quer atrapalhar”, afirmou o ministro, detalhando a postura do governo em relação a intervenções externas.
Além disso, Durigan mencionou que a Fazenda tem mantido diálogos com empresários de diversos setores para compreender as vulnerabilidades e preocupações do mercado produtivo. Por fim, o ministro falou sobre a agenda internacional de investimentos do Brasil, informando que, no final deste mês, viajará para a China e o Japão para apresentar o programa Eco Invest Brasil, que visa captar recursos internacionais para investimentos sustentáveis no país.
Durante a reunião, também foram discutidos dados recentes do Produto Interno Bruto (PIB), com destaque para a formação bruta de capital fixo, que cresceu 3,5% no primeiro trimestre de 2026, contribuindo para um crescimento de 1,1% na economia brasileira.
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