No último dia 7 de abril, lembramos os 33 anos da morte de Nélson de Araújo, um sergipano que se dedicou integralmente ao ensino, à pesquisa, ao jornalismo e à literatura. Nélson, nascido em Capela em 4 de setembro de 1926, foi um dos escritores mais prolíficos e aclamados de Sergipe, embora tenha vivido grande parte de sua vida na Bahia.
Filho do major Gothardo Correia de Araujo e Luíza Soares dos Santos, Nélson mudou-se para Aracaju ainda menino, onde viveu com seu irmão e cunhada. Estudou no Colégio Salesiano e, aos 23 anos, após ser fichado como comunista pela Secretaria de Segurança Pública de Sergipe, migrou para Salvador, onde se destacou como um fervoroso produtor cultural.
Embora tenha sido celebrado pela crítica, Nélson nunca alcançou a fama desejada. Jorge Amado o chamou de mestre da ficção, mas a falta de marketing e o provincianismo contribuíram para que sua obra permanecesse desconhecida por muitos conterrâneos. Em Salvador, Nélson rapidamente se envolveu no mundo literário e editorial, trabalhando na Livraria Progresso Editora e se tornando um dos responsáveis pela Coleção Tule, que promovia escritores baianos.
Como professor na Universidade Federal da Bahia, Nélson foi pioneiro no ensino de Expressões Dramáticas do Folclore e atuou como diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais, onde fundou a Revista Afro-Ásia. Sua produção literária inclui novelas como “O Império do Divino visto pelos olhos de Pisa-Mansinho” e “Vida, paixão e morte republicana de Don Ramón Fernández y Fernández”, além de “1591 – A Santa Inquisição na Bahia e outras histórias”.
As obras de Nélson são ricas em elementos folclóricos, e ele sempre buscou expressar a essência do povo em suas narrativas. Jorge Amado destacou a profundidade de suas criações, chamando Pisa-Mansinho de um personagem magnífico e um dos melhores da literatura contemporânea. Já Plínio Doyle elogiou suas novelas como esplêndidas e agradáveis à leitura.
Infelizmente, Nélson de Araújo ficou relativamente anônimo em vida, não tendo suas obras alcançado o público que mereciam. Críticas ao mercado literário e à falta de uma edição nacional adequada para seus livros foram apontadas por Jorge Amado, que lamentava a ausência de uma divulgação mais ampla para o autor. Mesmo assim, a qualidade da escrita de Nélson foi reconhecida por vários críticos e escritores, que destacaram seu talento e seu estilo único.
Com uma trajetória marcada pela dedicação à cultura e à literatura, Nélson de Araújo será sempre lembrado como um grande nome sergipano que, apesar das dificuldades, nunca esqueceu suas raízes. Sua obra permanece viva e relevante, representando a riqueza cultural do nosso Nordeste.




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