Na manhã do dia 31 de maio, centenas de pessoas se concentraram em torno da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Calama, um distrito de Porto Velho, aguardando a chegada das equipes da expedição Barco Ciência, Saúde e Cidadania. Essa ação, que chega à sua sexta edição, proporcionou atendimento em diversas áreas, com ênfase na saúde, para as comunidades ribeirinhas da região.
A expedição ocorreu entre os dias 20 e 24 de maio, promovida pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Pesquisa e Conhecimento de Excelência da Amazônia Ocidental e Oriental (INCT-CONEXAO), em parceria com a faculdade Afya São Lucas. Mais de 100 profissionais, entre estudantes, professores e pesquisadores, se uniram para oferecer serviços de saúde, educação e cidadania.
O barco percorreu o Rio Madeira, atendendo as comunidades de Calama, Nazaré e São Carlos. Nos primeiros dias, o foco foi Calama, a maior comunidade da região, que abriga cerca de 2,3 mil pessoas. A agricultora familiar Vânia Caetano dos Reis, de 52 anos, que vive na Gleba Rio Preto, relatou as dificuldades enfrentadas para chegar ao atendimento. Após mais de duas horas de navegação em uma rabeta e mais de duas horas de cavalo por uma estrada de 12 km, ela chegou ao local. “Quando vem um barco desse, com todo tipo de exame e de consulta, a gente tem que aproveitar”, contou Vânia, destacando a importância da expedição para quem vive em áreas remotas.
Durante a expedição, Vânia teve acesso a várias especialidades, incluindo oftalmologia. “Ontem eu vim ser atendida por odontologia e o clínico geral, passei também no dentista e no oftalmologista. Eu sofro da vista desde jovem”, disse, ressaltando a escassez de oftalmologistas na região. Esta edição da expedição teve uma demanda significativa por atendimentos oftalmológicos, resultando na realização de mais de 200 exames. Além disso, uma parceria com uma ótica local possibilitou a doação de 300 óculos de grau.
A dona de casa Edna Miranda de Sousa, também presente, levou sua neta Bianca, de 5 anos, para consultas. Edna destacou a falta de um posto de saúde em sua comunidade, que conta apenas com uma escola. “Eu queria saber se ela está com anemia ou alguma coisa, fazer um acompanhamento médico”, relatou. O esquema de atendimento foi bem planejado, começando com uma triagem para identificar as necessidades de cada paciente. O pró-reitor de Pós-Graduação da Afya São Lucas, Wuelison Lelis de Oliveira, explicou que o fluxo de atendimento foi dividido, priorizando as demandas mais urgentes.
“Dividimos o fluxo essencial pensando nos atendimentos que estamos trazendo, tanto atendimento médico, enfermagem, oftalmológico, biomédico, nutrição, fonoaudiologia, fisioterapia, psicologia, educação física e a área jurídica também”, afirmou Oliveira. Essa iniciativa reafirma o compromisso de levar serviços de saúde de qualidade para as comunidades que, muitas vezes, enfrentam dificuldades de acesso.

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