Na última quinta-feira, 28 de maio, a Defesa Civil Nacional promoveu um encontro virtual chamado “Bate-Papo com a Defesa Civil”, onde especialistas discutiram a possibilidade de consolidação do fenômeno climático El Niño no Brasil durante o segundo semestre de 2026. O evento contou com a participação de representantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Defesa Civil do Rio Grande do Sul.
Os especialistas ressaltaram que, embora o El Niño ainda não esteja configurado, já existem sinais de aquecimento nas águas do Oceano Pacífico Tropical. O meteorologista Fábio Rocha, do Grupo de Clima do Inpe, afirmou:
“Já estamos presenciando o aquecimento gradativo das águas do Pacífico Tropical, mas o fenômeno ainda não está estabelecido.”
As previsões indicam uma alta probabilidade de que o El Niño se consolide no segundo semestre, com uma intensidade que pode variar entre moderada e forte durante a primavera e o verão. No entanto, os especialistas alertaram que cada evento é único e que expressões alarmistas, como “Super El Niño” ou “Godzilla”, não são classificações científicas oficiais.
O El Niño é parte do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) e pode ter efeitos variados no Brasil, dependendo da região. No Sul, o fenômeno pode aumentar o transporte de umidade da Amazônia, resultando em tempestades e possíveis inundações. Já nas regiões Norte e Nordeste, a expectativa é de redução das chuvas, com riscos de estiagem que podem afetar a produção agrícola e a disponibilidade de água.
O coordenador de Monitoramento e Previsão Climática do Inmet, Mozar Salvador, explicou que o fenômeno é caracterizado por um aumento da temperatura média do Pacífico Tropical que persiste por vários meses. Ele afirmou:
“É necessário que tenhamos, pelo menos, meio grau acima da média em toda a região central do Pacífico.”
Durante o encontro, o coordenador-geral de Monitoramento e Alerta da Sedec, Tiago Schnorr, destacou a importância do monitoramento contínuo da situação e mencionou que a secretaria realiza reuniões diárias com órgãos técnicos para discutir as previsões climáticas e os impactos potenciais do El Niño.
Os participantes do evento enfatizaram que a preparação dos estados e municípios é essencial. As defesas civis locais devem atualizar e testar seus planos de contingência, realizar simulados com a população e revisar rotas de fuga e protocolos de emergência. O coronel Luciano Chaves Boeira, da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, relatou as medidas adotadas no estado para fortalecer a capacidade de resposta a desastres, incluindo a criação de novos cargos e a integração de profissionais de diversas áreas técnicas.
Além disso, foram discutidos investimentos em monitoramento, como radares meteorológicos e sistemas de alerta, essenciais para evitar perdas humanas. A comunicação eficaz de riscos foi destacada como um aspecto crucial, com a recomendação de que a população acompanhe apenas informações oficiais e evite conteúdos alarmistas. A expectativa é de que o monitoramento das condições atmosféricas continue nos próximos meses, sendo este período decisivo para entender a intensidade e os efeitos do El Niño sobre o Brasil.
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