A concessão da Rota dos Sertões, que abrange trechos da BR-116 entre a Bahia e Pernambuco, avançou em uma nova fase na última quinta-feira, 28 de maio de 2026. O Consórcio 116 Sertões venceu o leilão realizado na B3, em São Paulo, ao apresentar uma proposta com um deságio de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio estipulada no edital.
O projeto abrange cerca de 502 quilômetros de rodovias, sendo aproximadamente 429 quilômetros na Bahia, 66 quilômetros em Pernambuco e 7,2 quilômetros da BR-324, no anel viário de Feira de Santana. Este leilão marca um momento significativo, pois é o primeiro leilão rodoviário federal no Nordeste durante a gestão atual do Ministério dos Transportes.
Com um investimento total previsto de R$ 8,53 bilhões ao longo de 30 anos, desse valor, R$ 4,13 bilhões serão destinados a obras de ampliação e modernização da infraestrutura, enquanto R$ 4,40 bilhões cobrirão os custos operacionais. Segundo o Ministério dos Transportes, a concessão terá a menor tarifa quilométrica já registrada entre as concessões federais, estimada em apenas R$ 0,07 por quilômetro rodado.
“É uma iniciativa estruturante para o Nordeste, porque estamos falando de um corredor logístico voltado principalmente ao transporte de cargas”, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro. “Esse projeto abre caminho para novos investimentos e futuras licitações na região”, completou.
A concessão prevê diversas melhorias, como duplicações, implantação de faixas adicionais, construção de vias marginais, passarelas e melhorias operacionais para aumentar a segurança viária e a fluidez do tráfego. Além disso, serão implementados sistemas inteligentes de monitoramento, ambulâncias, guinchos e um Ponto de Parada e Descanso (PPD) para caminhoneiros.
O projeto foi elaborado com a colaboração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A concessão também inclui cerca de 95 quilômetros de duplicação de pistas e 45 quilômetros de vias marginais nas travessias urbanas.
“Conseguimos estruturar projetos nas cinco regiões do país e agora realizamos o primeiro leilão rodoviário no Nordeste durante a atual gestão”, destacou a secretária nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse. “Estamos mostrando que é possível viabilizar mais de R$ 8 bilhões em investimentos com uma tarifa adequada à realidade econômica da região”, completou.
O Consórcio 116 Sertões é formado por empresas que atuam nos setores de infraestrutura e investimentos, incluindo a NEO Invest, Mota-Engil e Infra I, ligada à Galápagos Capital. A Mota-Engil, de origem portuguesa, é reconhecida no setor de construção pesada e participa de grandes obras, como o túnel Santos-Guarujá, em São Paulo.
André Rabello, porta-voz da concessionária, enfatizou o compromisso do grupo com a gestão operacional do trecho: “Temos consciência da nossa responsabilidade e do nosso compromisso com a sociedade e com o poder concedente”, afirmou. “Vamos ser exemplo de gestão operacional, garantindo mais segurança aos usuários”, completou.
A Rota dos Sertões é considerada estratégica, pois conecta polos industriais, centros de distribuição e áreas agrícolas da Bahia e Pernambuco. O corredor atravessa 16 municípios entre os dois estados e desempenha um papel crucial no escoamento da produção regional e na integração de áreas do interior nordestino.
Feira de Santana é a principal porta de entrada da concessão na Bahia, sendo um dos principais polos industriais do estado. As intervenções na BR-116/324/BA/PE são esperadas para reduzir custos logísticos e melhorar as condições de circulação, aumentando a competitividade da região.
Este leilão marca uma nova etapa para as rodovias federais da Bahia, após o fim consensual da antiga concessão em maio de 2025, quando o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) assumiu provisoriamente a operação dos trechos. Desde então, o Ministério dos Transportes e a ANTT trabalharam em um novo modelo contratual, focando na ampliação da capacidade e modernização da operação.
O diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, comentou sobre o sucesso do leilão: “Tivemos um leilão exitoso, com concorrência e participação de novos entrantes, atraindo investidores para impulsionar o desenvolvimento do país”, disse.
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