Em junho, o Ministério Público de Sergipe cobrou medidas para as filas de consultas, exames e cirurgias do SUS
Teleorientação, teleatendimento e integração dos serviços estaduais de saúde estão na agenda da advogada Clarissa Marques (MDB), candidata a deputada estadual por Sergipe.
Com formação em Direito Médico, pós-graduação em Direito dos Pacientes e experiência na gestão pública de saúde, a candidata propõe uma agenda de transformação digital que integre os serviços estaduais, amplie o acesso a informações e facilite a relação do cidadão com a rede de saúde. Entre as medidas estão o agendamento digital, o acompanhamento de solicitações e filas, a comunicação remota com os serviços, quando apropriado, além de teleorientação e teleatendimento dentro das normas profissionais. “Quero defender uma saúde mais acessível, conectada e centrada nas pessoas. A tecnologia precisa facilitar a vida de quem precisa do SUS, permitindo que o cidadão consiga agendar, acompanhar uma solicitação, saber onde está na fila e acessar informações de forma mais simples. Mas essa transformação precisa acontecer com responsabilidade e com respeito aos direitos dos pacientes”, afirma.
A pauta dialoga com a trajetória profissional da candidata. Em artigo publicado pela Revista da Sociedade Médica de Sergipe, ela analisou os impactos da inteligência artificial sobre a relação entre médicos e pacientes e defendeu que essas ferramentas sejam usadas como apoio ao trabalho dos profissionais, sem substituir a dimensão humana do atendimento. “A inteligência artificial pode ampliar possibilidades, auxiliar diagnósticos e melhorar processos, mas não pode retirar do paciente o direito de ser ouvido, informado e acolhido por um profissional. Tecnologia precisa estar a serviço da pessoa, e não o contrário”, diz.
A proposta prevê o uso responsável e integrado dos dados de saúde, considerados informações sensíveis pela legislação. Para a candidata, a digitalização dos serviços não pode significar perda de privacidade ou utilização inadequada das informações dos cidadãos. “A transformação digital da saúde não pode acontecer sem proteção de dados. Precisamos integrar informações para melhorar o atendimento, mas com segurança, transparência e regras claras. Também é fundamental impedir que dados ou algoritmos sejam utilizados de maneira que produzam discriminação ou prejudiquem qualquer cidadão”, destaca.
As filas do SUS
Para a candidata, a discussão sobre direitos dos pacientes também passa pelo acesso efetivo aos serviços. Em junho de 2026, o Ministério Público de Sergipe informou que acompanhava as filas de consultas, exames e procedimentos cirúrgicos e cobrava medidas para melhorar a previsão de atendimento no SUS. Em setembro, o Ministério da Saúde anunciou a previsão de 624 procedimentos para pacientes do SUS em Sergipe, por meio de contratos com a rede privada e filantrópica, dentro do programa Agora Tem Especialistas. “A discussão sobre saúde não pode terminar quando o paciente consegue entrar no sistema. É preciso garantir informação, acompanhamento, segurança e respeito durante todo o percurso do cuidado. O paciente precisa saber quais são seus direitos e ter mecanismos para exercê-los”, afirma.
A trajetória da advogada reúne experiências ligadas ao tema: foi presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB/SE, conselheira estadual da Ordem, coordenadora da Assessoria Jurídica da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, assessora jurídica da Sociedade Médica de Sergipe e assessora jurídica voluntária da Legião Feminina de Combate ao Câncer. A candidatura dela a deputada estadual pelo MDB está deferida pela Justiça Eleitoral.
Com informações da assessoria
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